Poliana Okimoto

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Apesar de ter nascido na capital paulista, Poliana representou a Baixada Santista nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro e nas Olimpíadas de Pequim. Treinando atualmente nas dependências do Sest/Senat, em São Vicente, a maratonista aquática busca patrocínios para que possa alçar vôos ainda mais altos na modalidade.

Determinação. Essa palavra pode definir Poliana Okimoto, maratonista aquática que em apenas três anos de carreira já foi campeã da Travessia dos Fortes, vice-campeã mundial, medalha de prata nos Jogos Pan-americanos, além de ter participado das Olimpíadas de Pequim.
Em entrevista ao JV, Poliana conta um pouco sobre a sua infância, curiosidades sobre a modalidade, fatos que marcaram a sua carreira, entre outras coisas.
Sempre apaixonada por água, Poliana ingressou na natação aos dois anos de idade. Em 2005, participou da Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro, sem pretensão alguma de medalha. Entretanto, a atleta foi campeã da prova e, em 2006, conquistou o vice-campeonato mundial, em Napoli, na Itália. Naquele momento, Poliana percebeu que maratona aquática seria o seu destino. A seguir, confira a entrevista completa com a atleta olímpica:
Jornal Vicentino - Onde você nasceu e quais as suas principais lembranças de infância?
Poliana Okimoto
- Nasci em São Paulo, Capital. Quando era pequena, eu ia a um clube perto de casa e ficava sempre na piscina (risos). Lembro, também, que eu e meu irmão mais velho brincávamos muito. Além dele, tenho um irmão seis anos mais novo, mas, na época, ele ainda não havia nascido. Já meu outro irmão é apenas dois anos mais velho que eu. Essa foi uma época em que tudo era brincadeira e não havia nenhuma responsabilidade. Fiquei em São Paulo até meus 17 anos de idade.
JV - Onde você estudou e como era como aluna?
Poliana
- Estudei em muitos colégios. Sempre fui boa aluna, nunca dei problema para a minha mãe. Não era a melhor aluna da sala, mas sempre tive boas notas, como oito, nove e, às vezes, dez.
JV - Sempre praticou esportes na escola? Natação era uma das atividades?
Poliana
- Não havia natação na escola. Os esportes eram separados por época. Lembro que pratiquei vôlei, handebol e outros esportes durante as aulas de Educação Física. Dentre esses que pratiquei, eu gostava mais de handebol.
JV - Você sempre gostou de nadar?
Poliana
- Quando eu tinha um ano de idade, íamos para praia e eu já queria entrar na água. Minha mãe ficava louca comigo (risos). Aos dois anos, ela me colocou na natação justamente por causa disso. A partir desse momento, comecei a freqüentar as aulas de natação e aprender a nadar realmente.
JV - Quando decidiu que ser maratonista aquática?
Poliana
- Foi em 2006. Anteriormente, eu só fazia trabalhos na piscina mesmo. Em 2005, participei da Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, participei sem pretensão alguma, sem pensar em medalha, apenas para conhecer como era a maratona. Felizmente, meu desempenho foi muito bom. Além disso, durante essa travessia, eles anunciaram que a maratona aquática estaria no Pan-americano e na Olimpíada pela primeira vez. Como eu tinha ido muito bem nessa travessia, achei que poderia ter uma chance na maratona aquática também. Em 2006, comecei a participar de todas as provas da modalidade, pois eu precisava obter alguns índices e, também para adquirir mais experiência. Depois, fui vice-campeã mundial e, naquele momento, percebi que era isso que gostaria para a minha vida.
JV - Além de marido, Ricardo Cintra é seu treinador. Como diferenciar a relação pessoal da profissional?
Poliana
- Nós somos profissionais quanto a isso. Tenho que respeitá-lo como meu treinador e esquecer de tudo que se passa dentro de casa. E o contrário também, as discórdias que acontecem durante o treinamento devem ficar na piscina, pois em casa já é outra coisa.
JV - Você foi medalha de prata no Pan-americano, a primeira conquista brasileira da competição. Como foi essa experiência?
Poliana
- Foi um alívio muito grande para mim, pois eu nunca tinha participado de um Pan-americano. Além disso, foi a primeira medalha brasileira da competição, foi uma emoção muito grande. Um ano antes, durante uma prova, eu havia furado 1/4 do meu tímpano, pois recebi uma cotovelada de outra atleta. Fiquei por dois meses fora das competições e, logo em seguida, viria o Pan do Rio. Sendo assim, acredito que essa medalha foi um sinônimo de superação.
JV - Quando você voltou do Pan do Rio você não tinha piscina para treinar? Como foi lidar com essa situação?
Poliana
- Cada época existe um obstáculo na minha frente (risos). Esse episódio foi muito difícil para mim. Depois de conquistar a medalha do Pan e alcançar meus objetivos, esse empecilho apareceu um ano antes da Olimpíada, e ela era o meu maior objetivo. Fiquei super preocupada e não sabia o que fazer. Durante alguns meses, tive que treinar em São Paulo, foi uma luta muito difícil mesmo. Graças a Deus consegui um contato com o deputado estadual Luciano Batista e ele me ajudou muito nesse elo com o Sest/Senat. Demorou um pouco para fazerem o aquecimento da piscina, mas, mesmo assim, já tínhamos a piscina à disposição. Na época, o frio era outra dificuldade também. De qualquer forma, eu precisava treinar, pois sabia que minhas adversárias estavam treinando. Graças a Deus, no final, deu tudo certo.
JV - Pela primeira vez, a maratona aquática fez parte de uma Olimpíada. Qual foi a sensação de participar do maior evento esportivo do planeta? É muito diferente das outras competições?
Poliana
- Tudo que eu havia sonhado sobre Olimpíada aconteceu em triplo. Foi uma experiência super importante para mim, não apenas como atleta, mas também como pessoa. Por ser a maior competição esportiva do mundo, só de participar já foi gratificante. A organização dos chinenes foi excelente, uma Olimpíada perfeita. O local da prova foi ótimo e o nível técnico das atletas estava muito alto,  pois eram apenas 25 atletas que participaram da maratona aquática, ou seja, lá estavam as melhores do mundo.
JV - Você foi 7ª colocada nas Olimpíadas. Ficou satisfeita com o seu desempenho?
Poliana
- Não, pois eu esperava um pouco mais. Acredito que faltou experiência a mim. Eu sou, ainda, muito nova na maratona aquática, apesar de ter ótimos resultados. Se eu tivesse um pouco mais de lastro de maratona aquática, se tivesse participado de mais provas, eu teria um pouco mais de ‘malandragem’. Não faltou trabalho físico para mim, pois eu estava na minha melhor forma. Eu treinei muito, não tinha mais o que treinar, mas o efeito psicológico deveria ter sido mais trabalhado, creio eu. E isso só se adquire com muita experiência, com muitas provas nas minhas costas. As minhas adversárias tem 10, 15 anos de maratona aquático, enquanto eu tenho apenas dois anos. Eu precisava realmente fazer mais provas.
JV - Sua principal adversária no Brasil é a Ana Marcela, atleta da Unisanta. Vocês tiveram uma intensa disputa durante a prova em Pequim. Como é seu relacionamento dentro e fora das piscinas com ela?
Poliana
- Esse lance de rivalidade é um pouco para quem está começando. Eu já ganhei muito e perdi muito, já sei lidar com isso. Eu tento passar isso um pouco para ela, pois sou nove anos mais velha. Acredito que você precisa ser um atleta não apenas bem sucedido dentro da água, mas fora dela também. Da minha parte, a rivalidade é apenas profissional.
JV - Dentre todas as suas conquistas, qual foi a que mais te marcou?
Poliana
- Foi o Campeonato Mundial, em 2006. Eu fui para o campeonato e a minha expectativa era classificar, por exemplo, em décimo lugar, sem pretensão de subir ao pódio. O melhor resultado do Brasil, inclusive, foi um 17° lugar. Fui vice-campeã em duas categorias, 5 e 10 km. Acredito que a prova dos 5 km foi mais marcante, pois foi a primeira medalha. Eu não acreditava que estava vivendo aquilo, todos ficaram surpresos ao verem uma brasileira no pódio, uma vez que a maratona aquática tem hegemonia européia. Os sul-americanos nunca haviam obtido um bom resultado. Quando viram uma brasileira como vice-campeã, perguntaram: quem é esse menina?
JV - Como é a rotina de uma maratonista aquática?
Poliana
- A minha rotina é de 100% natação. Nado por dia, em média, cinco a seis horas. Fora da água, faço exercícios físicos por meia hora. Quanto à minha alimentação, eu não fico me policiando muito, pois preciso gastar muita energia na água. Eu realmente preciso comer bastante. Como de tudo, desde frituras a doces. Eu já tenho uma estrutura corporal pequena e magra, portanto, preciso de um pouco de gordura para agüentar o treino.
JV - Como é dedicar-se exclusivamente ao esporte e ter que abrir mão de fatores como família, diversão, entre outras coisas?
Poliana
- Foi algo que escolhi para mim. Quando você exerce uma profissão por amor, aquilo não se torna uma sacrifício, torna-se algo normal. Eu não fico pensando se estou me sacrificando muito ou se o treinamento está muito difícil, pois eu gosto de fazer isso. Claro que sinto falta da minha família, pois eles moram em São Paulo. Além disso, eles me entendem e me apóiam muito também.
JV - Agora, quais são seus próximos objetivos?
Poliana
- Neste ano, eu tenho apenas o Campeonato Brasileiro de natação, em dezembro. Já de maratona aquática, não tenho nenhuma prova. Em 2009, pretendo participar do Circuito Mundial, que são sete ou oito provas, mas não tenho patrocínio. Estou procurando um apoio para tentar fazer essas provas, pois elas são caras e eu não tenho condições financeiras para fazer. Mas eu gostaria muito de participar, pois, como eu já disse, preciso de mais experiência em maratonas aquáticas. Até por essa falta de experiência, não obtive o resultado esperado nas Olimpíadas. Eu gostaria muito de mudar essa história.

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