Educação amadora

Ensino de má qualidade para os alunos de baixa renda. Esse foi o levantamento feito pela Agência Brasil, que após uma pesquisa que envolveu 96 cursos superiores de instituições particulares que obtiveram nota um – a mais baixa possível – no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), apontou que 67% deles estão credenciados pelo Ministério da Educação (MEC) para oferecer bolsas de estudo a alunos de baixa renda no Programa Universidade para Todos (ProUni).

De acordo com o Ministério da Educação, o problema acontece porque, segundo a lei do ProUni, a instituição só pode ser descredenciada após dois resultados ruins no Enade. Mas como cada área é avaliada de três em três anos, há a possibilidade de os cursos mal avaliados receberam alunos pelo ProUni durante esse período.
No entanto, isso demonstra que a lei que regula o programa é falha, uma vez que não apresenta nenhuma exigência de desempenho mínimo dos cursos credenciados. Em troca da oferta de bolsas integrais e parciais, as instituições privadas de ensino recebem incentivos fiscais por parte do governo. De certa forma, o acesso a cursos de má qualidade, por meio do ProUni, pode prejudicar o futuro dos bolsistas.
Não devemos “dar o peixe aos alunos”, mas, sim, “ensiná-los a pescar”. A Educação no País precisa, ainda, de muitos ajustes. Enquanto tal categoria não for tratada como prioridade, nossos alunos continuarão exibindo maus desempenhos e, sobretudo, perspectivas pouco animadoras sobre suas qualificações. Como todos sabem, o mercado de trabalho, com o passar dos anos, tende a ficar ainda mais concorrido, uma vez que o capitalismo desenfreado está exposto e as empresas prezam por eficiência. Enfim, já passou da hora do Brasil acordar. E faz tempo.

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