Nossa Cidade
- março 2, 2009
“A Área Continental não é a bola da vez de São Vicente, mas de toda Baixada Santista”

Depois de oito anos como vereador, Fernando Bispo será responsável por resolver os problemas do comércio vicentino. O secretário de Relações Empresariais e Fomento à Pesca será responsável pelo setor conhecido pela força e pelo forte crescimento nos últimos anos. Como um dos desafios, levar empresas para a Área Continental e desburocratizar a relação comerciante e Poder Público. Confira na entrevista.
JV - Como o senhor avalia atualmente o comércio vicentino?
Fernando Bispo - Hoje entendemos o setor do comércio de São Vicente da mesma forma como é visto em vários jornais, como a “25 de Março” da Baixada Santista. É um comércio que está fluindo muito bem, com empresas com interesse em se instalar aqui na Cidade pela crebilidade política que foi adquirida e por entender o crescimento do comércio local.
JV - Qual o principal problema a ser resolvido neste setor?
Fernando Bispo - Hoje estamos tentando resolver a parte fundiária da Cidade na Área Continental. Essa região tem em torno de mais de 500 mil metros quadrados em áreas livres para serem ocupadas por empresas. Temos um projeto que pretendemos levar para lá que é o do Portos Secos, cujo está ligado às empresas da área portuária. Já temos algumas empresas instaladas e seis ligadas ao transporte de containers, cujo ramo está saturado atualmente em Santos, por isso estão vindo para cá. Existe a proposta do prefeito Tércio para dar um incentivo fiscal e condições para essas empresas se instalarem na Área Continental, que logisticamente é uma área muito importante, pois está próxima a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega e há 15 minutos da Serra. A Área Continental é a bola da vez não de São Vicente mas de toda Região.
JV - Então as atividades portuários serão uma prioridade nesta gestão?
Fernando Bispo - Eu acredito que sim até pelo fato do interesse de algumas empresas em se instalarem aqui. Existem pontos a serem resolvidos como alguns estudos de impacto ambinental, mas em três meses teremos a liberação junto aos proprietários dos locais para desenvolver o ramo da atividade portuária.
JV - Esse desenvolvimento não corre risco devido a crise econômica mundial?
Fernando Bispo - A crise econômica dá esse receio. Mas a partir do momento que o presidente anuncia um megapacote de investimento interno faz com que os empresários se sintam seguros. Da mesma forma que o Barack Obama fez nos Estados Unidos quando começou resolvendo o problema interno. O investimento anunciando pelo Lula aos prefeitos impulsiona o comércio local. São Vicente está dentro deste pacote porque trata-se de uma cidade com 350 mil habitantes. Crise no Brasil e no mundo vai sempre existir, mas nesse momento é preciso encontrar maneiras de dribá-la. O presidente está tendo essa saída investimento internamente, nas prefeituras, para que não pare o investimento e a geração de empregos.
JV - Mesmo com o crescimento do comércio, existem problemas que precisam ser sanados neste setor?
Fernando Bispo - Existe em vários aspectos. É um comércio forte, deu um giro de 90 graus, mas o crescimento não acompanhou esse giro. Em algumas forma hoje estamos tentando solucionar não só na parte urbanística, mas na fiscalização. Não dá para tocar uma cidade com 20 fiscais e cinco mil empresas. É um desafio dessa secretaria. Por isso estamos chamando fiscais para dar essa cara nova e fazer o acompanhamento destas empresas.
JV - O que já pode ser visto nessas primeiras ações de fiscalização?
Fernando Bispo - Hoje o que a gente percebe que está sendo mais visto no comércio da Cidade é que o próprio comerciante vicentino enxerga o poder público como um monstro. Não dá para ele ir até a Secretaria tentar legalizar porque é uma série de burocracia e documentações a serem exigidas. Essa gestão vai dar outro sentido a este tratamento junto às empresas. Vai buscar desburocratizar o sistema e dar maior agilidade. Hoje para se instalar uma empresa demora em torno de 45 dias e nossa meta é diminuir para 20, 25 dias.
JV - Como resolver o problema de abuso de comércio com sons como é visto muito em quiosques na Praia do Itararé?
Fernando Bispo - Hoje o efetivo de fiscalização da Cidade está coibindo de perto essas ações. Está sendo criada uma Força-Tarefa com a Guarda Municipal e órgãos competentes para avaliar esses danos que vem sendo causados para a população, porque entendemos que isso é um transtorno. Nos quiosques faremos uma reunião após o Carnaval e estaremos adaptando alguns sistemas, não apenas com relação ao som, mas a parte de higiene. Urbanisticamente, a orla da praia ficou uma maravilha, mas para atrair o cliente, para que ele volte aos quiosques vicentinos, é preciso fazer uma conscientização na área de higiene e de atendimento ao público. Os quiosqueiros precisam passar por essa reciclagem.
JV - Existe algum projeto direcionado ao setor da pesca?
Fernando Bispo - Existe sim. Um dos principais projetos é tentar trazer para a Cidade a construção de um Entreposto. Com essa construlão os pescadores amadores poderão ir pescar em alto-mar e depois vencer nesses próprios boxes. Já há entendimento com o senhor prefeito e ele também acha salutar tentarmos viabilizar recursos para essa construção, que além de incrementar a pesca na Cidade, vai dar oportunidade para que essas pessoas tenham a possibilidade de abrir o seu comércio.
JV - Como esses pescadores se encontram atualmente?
Fernando Bispo - Hoje eles estão em uma situação de não acreditar em nada que possa acontecer. Esse é o nosso maior desafio. É tentar estruturá-los para que possam ganhar o seu sustento e não acabar com uma cultura tão antiga, que são os pescadores da Rua Japão.
JV - O Procon também é de responsabilidade da Seremp. O que deve ser feito no orgão?
Fernando Bispo - O Procon serve mais como um orientador em São Vicente. Hoje estamos reestruturando. Quem for lá pode ver algumas medidas que já tomamos principalmente com relação a adequação pública. O público não tinha comodidade naquele local. Hoje já está adequado. Além da advogada atendendo o público, há também uma pessoa ligada à Secretaria dando plantão, acompanhando os problemas da Cidade.
JV - Hoje a classe dos comerciantes é unida em São Vicente? Há um diálogo com todos?
Fernando Bispo - Cada caso é um caso. O ser humano gosta de ser participativo e todas ações tomadas tem sido discutidas com todos os segmentos, seja ambulantes, quiosqueiros. Diariamente tenho ouvido e eles têm passado idéias. Demos atualmente 50% de desconto da cota única para os feirantes. Hoje a inadimplência desta classe é muito grande. A idéia dessa secretaria é justamente fazer essa coalisão de segmentos, juntamente com a CDL, a Associação Comercial, que são orgãos importantes que ajudam no crescimento do comércio vicentino.
JV - Qual a motivação de estar a frente de uma secretaria, após oito anos exercendo o cargo de vereador?
Fernando Bispo - Motivação são muitas. Isso é algo que veio para oxigenar minha vida. Fiquei oito anos na Câmara, trabalhei antes na iniciativa privada, e aqui também nunca é um dia igual ao outro. O ser humano vive de desafios e estou encarando como um desafio. Uma pasta que sempre foi ocupada por um técnico e agora é por um político. A gente já vem dando uma cara nova para a secretaria porque um técnico às vezes sempre age dentro da técnica que ele aprende e o político tem aquilo de querer fazer com que as coisas andem, não importa como. Aqui estamos tendo facilidade, com uma equipe de trabalho e fiscais muito bons, com vontade de trabalhar, e tem tudo para dar certo.





1 Comentário para ““A Área Continental não é a bola da vez de São Vicente, mas de toda Baixada Santista””
A CADA ANO, A QUANTIDADE DE TURISTAS QUE VEEM A SAO VICENTE AUMENTA SIGNIFICATIVAMENTE.PERCEBE-SE QUE O COMÉRCIO NÃO
ESTÁ PREPARADO PARA RECEPCIONÁ-LOS E CONVENCE-LOS A COMPRAR.
QUAIS AS FUTURAS AÇÕES DA SECRETARIA DE COMÉRCIO ,JUNTAMENTE
COM A SECRETARIA DE TURISMO, PARA APROVEITAR MELHOR ESSES PERÍODOS DE FÉRIAS E FERIADOS?
Por DIRCEIA FERREIRA DA SILVA em mar 15, 2009