O perigo mora ao lado

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Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada três brasileiros estão acima do peso adequado. Qualidade de vida do jovem também preocupa profissionais da área.

Seja na geladeira, no armário da cozinha ou na gaveta do escritório, a comida está presente na vida do ser humano. E com a uma rotina cada vez mais atarefada, os alimentos industrializados e repletos de conservantes são consumidos em grande proporção, uma vez que facilitam a vida do homem com vida atribulada.
O exagero no consumo de alimentos calóricos e pouco saudáveis é simbolizado pela “síndrome de Magali”, distúrbio alimentar que recebeu o nome da personagem Magali, da “Turma da Mônica”, devido à forma compulsiva como come.
De acordo com o último estudo elaborado pela Organização Mundial da Saúde, um em cada três brasileiros estão acima do peso adequado. Hoje, tal síndrome já se tornou comum, sobretudo no ambiente jovem, e preocupa os profissionais da área.
Para a nutricionista Michelle Maria Rodrigues, o índice de crianças e adolescentes obesos é preocupante. Segundo ela, casos de jovens obesos já se tornaram constantes “Antigamente, víamos que o baixo peso era a nossa principal preocupação. Agora, o quadro se inverteu e temos mais jovens obesos do que desnutridos”, afirma. “Já cuidei, inclusive, de adolescentes com mais de 150 quilos”, completa a nutricionista.
A obesidade pode causar problemas do coração, pressão, colesterol e triglicerídeos altos, além de diabetes. Entretanto, o que deixa os profissionais da Saúde em alerta é que tais problemas não fazem mais parte da vida de pessoas idosas, mas, sim, de jovens cada vez mais novos.
A alimentação desregrada, principal causador da obesidade, está relacionada à falta de comprometimento do ser humano com sua saúde. Boa parte da população - sobretudo dos adolescentes - acredita que, caso fique sem se alimentar por um longo período, vá perder peso. No entanto, a nutricionista explica que o que ocorre é justamente o contrário. “O ideal é se alimentar a cada três horas, pois isso faz que o organismo não crie acúmulo de energia e, além disso, reduza o apetite para uma próxima refeição”. Se não alimentado por um extenso período, o corpo humano cria reservas de energia para uma possível situação de perigo. Quanto mais a ação é feita com freqüência, maior o número de calorias acumuladas no corpo humano.
A nutricionista alerta que os lanches intermediários entre as refeições devem ser compostos por alimentos saudáveis, como frutas ou iogurtes com cereais. Biscoitos recheados e salgadinhos devem ser evitados - ou consumidos com moderação.
Mas como de praxe, a palavra moderação não costuma fazer da vida do adolescente. Nesse caso, o jovem precisa diferenciar a fome da vontade de comer. “Às vezes, o corpo pode ter a necessidade de obter cálcio. Logo, o organismo pede a ingestão de um copo de leite”, exemplifica a nutricionista. Michelle ressalta que a energia composta em guloseimas não costuma ser necessária ao corpo, bem como o exagero cometido por muitos jovens. “Uma criança não precisa comer dois pacotes de bolacha e beber um litro de refrigerante para saciar sua fome”, completa.
Ainda segundo a nutricionista, o ato de comer compulsivamente está, muitas vezes, ligado ao hábito alimentar dos pais. A nutricionista conta que o pai e mãe são os grandes formadores de hábitos alimentares dentro de casa.
Alimentos ricos em gorduras costumam ser mais saborosos e atraem, inevitavelmente, crianças e adolescentes, o que causa grande resistência no consumo de alimentos saudáveis. A nutricionista avalia que os pais devem ser responsáveis pelo consumo alimentar dos filhos, mesmo que, muitas vezes, não sejam adeptos de uma alimentação exemplar. “Se o pai não come feijão, por exemplo, ele também não compra para o filho. E a criança cresce sem comer um alimento que seria importante para seu desenvolvimento”, diz. “O pai deixa de comprar um alimento saudável, mas quando está no mercado compra salgadinhos e biscoitos para o filho”, alerta Michelle.

RISCOS

Tratamentos para combater a obesidade não faltam. Mas o problema começa quando o paciente age por sua conta e não procura um profissional habilitado para cuidar da sua saúde. De acordo com Michelle, as pessoas nunca devem compartilhar da mesma dieta que um amigo, pois os tratamentos variam de acordo com a pessoa. “Os populares chás que prometem emagrecimento também não são recomendáveis”, finaliza a nutricionista.

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