Priscila Marques

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Conheça a história da judoca olímpica santista, que é titular da seleção brasileira principal há mais de 10 anos, e já trouxe diversas alegrias para o esporte da Região. Em entrevista ao JV, ela conta sobre sua vida, a trajetória no esporte e os seus objetivos. Confira:

Por de trás da judoca peso pesado, titular há 10 anos de seleção brasileira, uma menina meiga e simpática. Essa é Priscila Marques, umas das feras do esporte da Região. No currículo são diversos títulos nacionais, duas medalhas em Jogos Pan-Americanos (Winnipeg e Rio de Janeiro), conquistas no Circuito Mundial e a 7ª colocação nos Jogos Olímpicos.
Em entrevista ao JV, a santista conta um pouco mais sobre o começo na carreira, quando conciliava o jazz com o judô, até começar a despontar como um dos principais nomes do judô feminino nacional. Priscila fala das alegrias da sua trajetória, e outras coisas, como sua profissão de fisioterapeuta e o seu amor pelo Santos Futebol Clube. Confira:
JV - Onde você nasceu e como era quando criança?
Priscila Marques
- Nasci em Santos. Sempre fui uma criança muito arteira, que gostava muito de esportes. Como eu tinha muitas amigas, fazíamos parte de um grupo de jazz, que fiz durante sete anos. Nesse período também fiz 3 anos de ballet, e de repente, com 11 anos, fui cair no judô. Mas sempre me dei bem na escola, nunca dei problema em casa e, ao mesmo tempo sempre muito ligada aos esportes. Não gosto só de jazz ou de judô, gosto de futebol, vou na Vila desde pequena, porque meu avô era técnico do Santos, inclusive por causa disso sempre gostei muito de esportes.
JV - E quando entrou o judô na sua vida?
Priscila Marques
- O jazz acontecia em cima do tatame, era uma aula antes do judô na Academia Arasaki. Então eu fazia o jazz e ficava assistindo o judô até que um dia o sensei Ricardo Arasaki me chamou para fazer uma aula experimental. No início meu pai não queria por ser um esporte masculino e eu fazia jazz, não tinha nada a ver, um esporte tão delicado com um tão bruto. Só que nunca tinha me dado bem no jazz, fazia por causa das minhas amigas, mas nunca levei jeito. Até que meu pai se acostumou com a idéia e eu me apaixonei por esse esporte.
JV - Quando percebeu que era essa esporte que você queria seguir por toda vida?
Priscila Marques
- Aos 11 anos eu ainda fazia jazz, fazia duas vezes por semana judô, e o jazz quase todo dia. Eu conciliava os dois esportes. Até que um dia o Ulisses, que hoje é meu marido, ele entrou na coordenação do Arasaki e falou para eu escolher ou um ou outro, porque não dava para participar de competição e treinar duas vezes por semana. Comecei a ir três vezes , ele falou que não adiantava, que tinha que ir todos os dias. Eu vi que realmente judô era minha vida, comecei a competir. Logo na minha primeira competição, no Brasileiro juvenil, eu ganhei e vi que esse esporte que ia me levar para frente.
JV - Como aconteceu da sua ida para a seleção brasileiro?
Priscila Marques
- Minha ida para seleção foi até meio que complicada. Na minha época cheguei a fazer uma seletiva em 1994 para o Campeonato Mundial Júnior. Eram várias seletivas e você precisava participar de todas. Eu ganhei todas e quando chegou na última mudaram a regra e entrou uma menina que não tinha participado de nenhuma outra etapa. Era melhor de 3, eu ganhei e primeira e ela acabou virando 2×1. Ela foi para o mundial, ganhou medalha, e quando voltou nunca mais perdi para ela. Mas comecei a criar um bloqueio em seletivas para grandes competições. Chegava na final acabavam virando o placar. De repente no meu primeiro ano de Sênior eu consegui a vaga para a equipe brasileira que disputou o Mundial por Equipes na Bielorússia, depois fui em seguida para o Pan de Winnipeg e já são mais de 10 anos na seleção.
JV - Nessa trajetória na seleção, qual foi a competição mais marcante?
Priscila Marques
- Acho que os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, foi marcante porque foi o primeiro que teve grande repercussão no Brasil. Mas satisfação pessoal para mim foi a Super Copa do Mundo, em Hamburgo, na Alemanha, que é como se fosse um Campeonato Mundial, que eu já fiquei três vezes em quinto lugar, mas ainda não consegui uma medalha. Foi importante por ser uma competição muito forte, de nível A, mas principalmente por em ter lutado muito bem, acho que foi minha melhor competição.
JV - Você falou sobre campeonatos mundiais. É verdade que você deixou de ganhar uma medalha por causa de um “cuspe”. Como foi isso?
Priscila Marques
- Era a disputa da medalha de bronze do meu primeiro Campeonato Mundial, que por poucos não fomos por falta de verbas. Perdi na semifinal para a cubana e fui disputar com a coreana. Estava vencendo a luta tranquila, por yuko (pontuação intermediária), e faltavam 8 segundos para terminar o combate. O juiz parou a luta, estava fora da área, e acho que passo toda aquela ansiedade, nunca tinha chego, e eu não dei um cuspe, foi uma “gorfada”, e me desclassificaram. Faltavam apenas oito segundos, nunca ia perder, poderia tomar duas punições e faltava muito pouco tempo. Depois descobri que colocaram aquela regra naquele Mundial, porque uma competição antes na Europa, um rapaz vomitou, continuou na luta e veio a falecer e aquilo tinha sido um sinal que ele estava mal. Por isso as pessoas se seguravam lá, mas eu não sabia.
JV - Você disputou os Jogos Olímpicos de Sidney. Como foi participar de um evento que é  o sonho de milhares de atletas? Pensa nisso na hora que entra no tatame?
Priscila Marques
- A imensidão dos Jogos Olímpicos é absurda. Você precisa ter um controle e equilíbrio emocional. Eu me sentia muito nova, eram apenas três anos de seleção e a competição mais importante que tinha participado era o Pan, que não tem a mesma grandeza. Acredito que fui super bem, fiquei em sétimo, mas tinha certeza que poderia ir mais além. Perdi para a francesa, campeã mundial, por koka (pontuação mínima), mas poderia brigar por medalha. Quando você chega na Vila Olímpica, vê aquela grandeza, você acha que vai sentir na hora de entrar no tatame, mas na hora você se concentra, esquece, porque isso pode te prejudicar.
JV - Em Atenas e Pequim você ficou fora porque sua categoria não conseguiu ranqueamento olímpico. Foi a maior frustação da sua carreira?
Priscila Marques
- As duas foram por pontuação. Durante esses oito anos tive muitas contusões, e é complicado porque, infelizmente, no Brasil, na categoria pesado feminina, não tem tantas mulheres que chegam, então quando a gente se machuca, tem uma ou duas que podem te ajudar a pontuar. Em Atenas foi pior porque eu tive uma luxação no Pan de 2001 e não pude ir ao Mundial no Japão que foi em seguida. Não levaram ninguém porque acharam que não tinham chance, mas só a participação valia cinco pontos e eu fiquei de fora porque faltaram dois pontos para a minha categoria.
JV - Em algum momento penso em abandonar o judô?
Priscila Marques
- Pensei em desistir, mas não desisti porque ainda tenho objetivos. A gente que é competir é assim. Tem Campeonato Mundial neste ano, que agora é anual, bati tantas vezes na trave e tenho a esperança de conseguir. Até onde meu corpo aguentar, responder aos treinamentos e contusões, vou em busca desse sonho.
JV - Todos os atletas mudam, mas você continua há 10 anos como titular da seleção brasileira. Qual o segredo para se manter no topo e até quando você pensa estar na equipe nacional?
Priscila Marques
- O que falam as pessoas que são do judô, a técnica da seleção, é que além de eu ter técnica, eu tenho muita mobilidade, eu não luto parada, e essa minha característica é diferente das atletas do peso pesado. Acredito que esse seja o motivo de eu estar há tanto tempo na seleção. Acho que falar até Londres, 2012, é longe demais, mas como eu disse, enquanto meu corpo responder e eu tiver objetivos de medalhas em campeonatos mundiais, pan-americanos, eu vou continuar nesta luta.
JV - Como é ter como treinador o seu marido?
Priscila Marques
- Olha é complicado viu (risos). Agora ele anda distante por causa da profissão, mas nas competições sempre gravas as lutas, me acompanha quando pode e corrige em algumas coisas. Mas quando ele estava realmente dentro do tatame a gente conciliava bem. Ás vezes brigávamos lá dentro, mas fora era totalmente diferente. Ele foi e é uma pessoa muito importante na minha vida, foi ele que colocou o judô na minha vida e ensinou tudo que eu sei, tudo devo a ele.
JV - Qual a dica que você dá para quem pretende começar em um esporte?
Priscila Marques
- Acho que você tem que perseverar, tem que realmente querer. Tem momentos de dor, vontade de desistir, mas tem momentos de alegria que superam tudo isso. É muito bom fazer um esporte, estar bem com você mesmo, com o seu corpo. É importante traçar um objetivo e correr atrás dele.
JV - Além do judô, você exerce outras atividades?
Priscila Marques
- Sim. Eu sou fisioterapeuta e educadora física, mas atuo na área da fisioterapia. Trabalho em uma Clínica de Repouso, mas nada que atrapalhe meus treinamentos. Faço mais para ter esse troca de ajudar alguém e ser ajudada. Acho que às vezes as pessoas são muito carentes e falta um pouco de atenção. Eu poder dar um pouco do meu tempo faz bem para eles e para mim e eu adoro. Me formei em Educação Física em 1999 mas achava que faltava alguma coisa. Entrei em seguida em Fisioterapia, porque é uma área que você pode fazer o bem para alguém e eu adoro.
JV - Você também tem outra paixão que é o Santos Futebol Clube. Como começou esse fanatismo?
Priscila Marques
- Desde pequenininha, sempre freqüento a Vila Belmiro, acompanho todos os jogos. Meu avó (Ernesto Marques) foi técnico do Santos e meu pai jogou na época do Pelé, mas teve uma contusão e encerrou a carreira. Mas minha família tem uma história bonita dentro do Santos. Quando vou lá as pessoas me param e falam do meu avô, que ele fez tantas coisas, e eu sinto muito orgulho. As pessoas me conhecem lá por causa dele e eu fico muito feliz por causa disso.

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