Editorial
- março 30, 2009
A festa continua
A lista dos 36 municípios que mais desmataram a Amazônia foi ampliada e agora tem mais sete cidades entre as campeãs de devastação da floresta. Juntos, os 43 municípios foram responsáveis por 55% do desmatamento da Amazônia Legal em 2008, que chegou a 11,9 mil quilômetros quadrados.
É a primeira vez que o ranking, criado em 2007, é atualizado. Dos sete municípios incluídos, quatro são do Pará (Marabá, Pacajá, Ituporanga e Tailândia), um de Mato Grosso (Feliz Natal), um de Roraima (Mucajaí) e um do Maranhão (Amarante do Maranhão).
A inclusão dos municípios levou em conta a área total desmatada, o aumento da taxa de desmatamento nos últimos cinco anos e a derrubada de área igual ou maior que 200 quilômetros quadrados de floresta em 2008. No caso do município de Feliz Natal, por exemplo, o desmatamento saltou de 22 para 207 quilômetros quadrados entre 2007 e 2008.
Nos 43 municípios da lista fica proibida a autorização para qualquer novo desmatamento (mesmo nos casos em que a legislação ambiental permite) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pode exigir o recadastramento de todas as propriedades da região, a partir de um novo georreferenciamento. Além disso, os produtores dessas cidades estão sujeitos às restrições de crédito agrícola impostas pelo Conselho Monetário Nacional a quem tem irregularidades ambientais.
De forma que soa até irônica, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, negou que a ampliação da lista represente falhas na atuação do governo para reprimir o avanço do desmate. Para ele, a política ambiental está funcionando, uma vez que o aumento da lista foi devido à maior rigidez dos critérios de avaliação. Mas a lista aumentou, como que a fiscalização melhorou? Se a fiscalização tivesse sido aprimorada, provavelmente a lista não seria extendida, senhor ministro.
É triste saber que pouco está sendo feito para salvar o maior patrimônio natural do País. Os rockeiros do Titãs dizem na música “Aluga-se” que “nós não vamos pagar nada, é tudo free”. Mas nós vamos pagar. Pagaremos o pato; eu, você, a Amazônia, o Brasil.





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