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- abril 9, 2009
Doar orgãos é salvar vidas

Quando nasce uma nova vida, a felicidade surge junto com ela. O nascimento é, sem dúvida, a celebração maior da vida. No entanto, há outro momento que enche de alegria e, sobretudo, esperança o coração das pessoas: o nascer de novo.
Recomeçar a vida, quando as esperanças já são poucas, é o maior presente que alguém pode receber. E muitas pessoas precisam deste presente chamado doação de orgãos.
Em entrevista ao Jornal Vicentino, o médico infectologista do Hospital das Clínicas (São Paulo) e do Hospital Ana Costa (Santos), Dr. Evaldo Stanislau, fala sobre a importância da doação de orgãos, bem como toda funcionalidade do processo. Além disso, Stanislau desmistifica alguns mitos relacionados ao assunto. A seguir, saiba por que a doação de orgãos é uma ação de extrema importância:
Jornal Vicentino - Qual a diferença dos processos entre doador vivo e cadáver?
Dr. Evaldo - O doador cadáver é sempre preferível, porque o doador vivo sempre é submetido a algum risco, por menor que seja. O doador vivo pode doar órgãos que existam em duplicidade ou que se regenerem. Os exemplos clássicos são o rim e o fígado. Também pode doar medula óssea.
JV - Um transplante de um doador cadáver pode salvar até quantas vidas?
Dr. Evaldo - Normalmente, um doador cadáver poderá doar coração e pulmões, rins, fígado, córneas, ossos, pele, pâncreas e intestino. Portanto, várias pessoas poderão se beneficiar de seus órgãos, lembrando que o fígado pode até ser divido em 2 e beneficiar duas pessoas. Assim, mais que sete pessoas poderão se beneficiar de apenas um doador. Isso é muito importante.
JV - O que é doador potencial? Quais as características desse doador?
Dr. Evaldo - Qualquer pessoa que tenha morte encefálica e que anteriormente gozasse de boa saúde, é um doador em potencial. Até mesmo quem tinha alguma doença poderá ser considerado para doação, mas, nesse caso, a utilização dos órgãos dependerá da avaliação da equipe que vai realizar o transplante do órgão dito “marginal”, porque não está em perfeita ordem. Mas tudo bem, afinal, se a pessoa tinha hepatite C, mas seu fígado estava em bom estado, o receptor com hepatite C poderá receber a doação normalmente. Afinal, o receptor contava com um órgão que não lhe garantia mais que algumas semanas de vida, e o órgão “marginal”, mesmo que não seja 100%, vai lhe garantir anos de vida livre de complicações hepáticas. Posteriormente, até a terapia da infecção com a cura ou a troca por um órgão não-marginal em um novo transplante poderão ser feitas.
JV - Muitas famílias não autorizam a doação dos orgãos de seu parente, uma vez que acusam que ele poderia ficar desfigurado. Isso realmente acontece? Se sim, em que caso?
Dr. Evaldo - De forma nenhuma. A retirada dos órgãos e tecidos é feita em centro cirúrgico, com boa técnica cirúrgica e reconstituição da aparência normal do doador. Nenhum doador fica desfigurado e os ritos religiosos podem ser feitos sem qualquer prejuízo.
JV - Como funciona o processo de autorização da doação?
Dr. Evaldo - Uma equipe do hospital em que o potencial doador se encontra aborda os familiares perguntando sobre a possibilidade da doação. Se houver a concordância, e só quem poderá fazê-lo é o cônjuge, filhos, pais ou irmãos, então, se procedem aos testes para confirmar a morte encefálica, testes sorológicos e, havendo condições, se procede a retirada dos órgãos. Após esse tempo o corpo é, então, encaminhado para os procedimentos funerários. Nenhum órgão é retirado sem o consentimento familiar. Mesmo que a pessoa tivesse no documento a assertiva de ser doador isso seria feito. Não há valor legal para essa frase impressa nos documentos. O que vale, legalmente, é a autorização do familiar.
JV - Na sua opinião, ainda faltam mais informações sobre doação de orgãos? Parte da população desconhece seus benefícios?
Dr. Evaldo - Sem dúvida. Conversar sobre transplante é essencial. Hoje em dia transplante de órgãos é uma área em pleno desenvolvimento e uma terapia extremamente eficaz para situações antes consideradas incuráveis.
JV - Quais são os hospitais habilitados (Capital/Baixada Santista) a fazerem esse tipo de operação?
Dr. Evaldo - Não basta capacitação técnica. Para realizar um transplante de órgão os hospitais devem possuir autorização específica para tanto concedida pelo Ministério da Saúde após uma rigorosa inspeção técnica. Na Baixada Santista, que eu conheça, apenas o Hospital Ana Costa possui tal habilitação para alguns procedimentos. Na capital, os grandes hospitais privados e públicos (universitários) estão habilitados. Em nosso grupo do Hospital Ana Costa e na Beneficência Portuguesa, temos dois cirurgiões de fígado que acompanham nossos candidatos ao transplante que são inscritos na fila do Hospital das Clínicas da Fmusp (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), onde realizam seus exames mais complexos e, finalmente, os transplantes hepáticos. Para nós é uma segurança imensa o apoio e retaguarda do Hospital das Clínicas.





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