Personalidades
- maio 18, 2009
Manoel Lourenço das Neves

Provedor da Santa Casa de Santos há 15 anos, Manoel das Neves conta como se tornou
provedor do hospital, bem como experiências de sua vida.
Contador por profissão, Manoel Lourenço das Neves, de 80 anos, também pode ser considerado um contador de histórias, pois experiências de vida não lhe faltam.
Manoel nasceu em Santos e, durante toda a infância, estudou no colégio Liceu Santista. Mas foi trabalhando com armazenamento e exportação de café que ele construiu um extenso capítulo de sua vida: 46 anos de dedicação ao setor.
Em entrevista ao JV, Manoel conta todas as histórias desse longo período de trabalho, ressaltando sua estadia no Estado do Paraná, que, segundo ele, marcou-lhe a vida. Além disso, ele diz como se tornou provedor da Santa Casa de Santos, faz uma análise do sistema de Saúde do Brasil e conta outras passagens marcantes de seu cotidiano. A seguir, confira a entrevista na íntegra:
Jornal Vicentino - Onde o senhor nasceu e quais as principais lembranças de sua infância?
Manoel das Neves - Eu nasci em Santos e morei no bairro do Macuco. Dentre as minhas principais lembranças de infância, as mais marcantes são aquelas que me recordo jogando bola na várzea, além de ter participado da fundação do clube de futebol Botafogo.
JV - Onde você estudou e como era seu desempenho na escola?
Manoel - Estudei no Liceu São Paulo, do jardim da infância até me formar contador. Meu desempenho na escola era muito bom, uma vez que nunca repeti de ano; não sei se a professora dava em cima de mim (risos). Brincadeiras à parte, eu era um aluno exemplar, pois não perdia nenhuma aula, estava sempre presente.
JV - O senhor trabalhou por 46 anos no ramo de armazenador e exportador de café. Qual a avaliação deste longo período da sua vida profissional?
Manoel - Avalio como uma luta, mas que tem um conforto no seu final, principalmente pela experiência de vida que ganhei. Nesses 46 anos, tive dois anos em Selva, no Paraná. Naquela época, o Paraná fez doação de glebas de terras para as principais empresas do Estado de São Paulo e a firma em que trabalhava foi contemplada. O terreno possuía 11 mil alqueires, e você imagina o que significa isso? Cada alqueire equivale a 24 mil e duzentos metros quadrados. Lá, naquela espaço, eles tinham o compromisso de fazer uma extensa plantação de café e fundar uma cidade, que hoje é Moreira Sales. Minha função era de contador, o caixa da empresa. Lembro que, devido a esses trabalhos no Paraná, acabei perdendo um amigo. Uma árvore caiu em cima dele e, depois, até colocaram seu corpo em uma bancada de oficina mecânica, com direito a vela e tudo mais. Esse rapaz que morreu, inclusive, quando chegou ao Paraná, se apresentou a mim como morador de São Bernado do Campo. Ele pediu a mim que caso morresse naquela desgraça de estância, para não enterrarmos ele ali. Outra curiosidade dessa época é uma conversa que tive com um senhor a respeito de outra pessoa que havia morrido. Queríamos saber se a vítima era magra ou gorda para construir o caixão. Muitas vezes, mal sabíamos o nome do falecido, nem a forma como havia morrido. De certa forma, devido a tudo que ocorreu nessa época, eu percebi que estava perdendo a sensibilidade. Por isso, avisei a minha mulher que iria embora dentro de três meses. Cheguei em casa e já preparei uma carta para enviar a Santos, pedindo que enviassem um substituto para o meu lugar.
JV - Você ocupou todos os cargos de diretoria do Lions Clube de Santos. Como foi essa experiência?
Manoel - No Lions, você paga a mensalidade para trabalhar (risos). Lá, no Lions Santos Centro, cheguei até o cargo vice-governador. Até por que o governador do clube precisa visitar 65 clubes ao ano. Nesse caso, seu guarda-roupas deve ser instalado no porta-mala do carro. Você anda, viaja, junto com seu guarda-roupa. Hoje, já não exerço nenhuma participação no clube, até devido à minha idade.
JV - E como o senhor tornou-se provedor da Santa Casa de Santos?
Manoel - Desde 1973, eu já era conselheiro. Certo tempo depois, o provedor da época me chamou e disse que precisava modificar o vice-provedor. Lembro que, inclusive, fugi por cinco vezes. Na sexta, ele me convenceu a ficar, pois disse que eu nem precisaria ir ao hospital para exercer o cargo. No entanto, ele esqueceu de avisar que ia morrer. Dessa forma, assumi seu lugar. É aquela história de ‘não tem tu, vai tu mesmo’. E nessa história, aliás, já estou há 15 anos.
JV - Na sua opinião, quais os principais desafios do seu cargo?
Manoel - Hoje, meu principal desafio é manter a balança, pois não pode deixá-la pender para nenhum dos lados. Preciso me equilibrar dentro da função, lutar e nunca esquecer que a Santa Casa é de todos nós. Muitos falam que a Santa Casa não tem dono, mas essas pessoas estão erradas, obviamernte. O dono é você, sou eu. Na parte de medicina, muda-se com frequência e, quanto aos equipamentos, estamos sempre atualizando. Até por que se não fizermos isso, o hospital fica para trás. A luta é não deixar a peteca cair.
JV - Como você avalia a estrutura do sistema de Saúde da Baixada Santista?
Manoel - Falta ainda muita coisa. Falta, principalmente, boa vontade das autoridades. A Santa Casa é em Santos, mas presta serviços para a Região. Me orgulho em falar que a Santa Casa atende ao SUS (Sistema Único de Saúde), tanto na parte de internação comum, internações demoradas, emergências, mas ainda falta muito para a perfeição. Mas como somos misericórdia, e costumo dizer que a misericórdia está relacionada à esperança, acredito que amanhã será melhor que hoje.
JV - Por ser um hospital referência na Região, a Santa Casa é, muitas vezes, sobrecarregada. Como lidar com isso?
Manoel - O que custa 100 reais, nós recebemos por 50, não tem milagre. Você fica devendo favores e dinheiro, vai fazendo a ginástica financeira para cumprir prazos, e se não tivéssemos planos de saúde, a Santa Casa já teria fechado. Aqui temos 742 leitos e 3100 funcionários.
JV - Hoje, quais as principais metas da Santa Casa de Santos?
Manoel - Estamos precisando de alguns equipamentos, dentre eles um acelerador linear. Além disso, queremos fazer um pronto-socorro para queimados, uma vez que o setor de gás irá crescer significativamente na Região. Com o tempo, temos que aumentar o hospital, em outro terreno mesmo, para continuar com o nosso trabalho. A Santa Casa de São Paulo, por exemplo, tem diversos hospitais, cada um classificado para diferentes doenças. Mas são metas e você me pergunta ‘como vai fazer?’. Mais uma vez, digo que a misericórdia e a esperança que vão dar o tom. Deus é que sabe.
JV - A misericórdia ressaltada pelo senhor está presente na sociedade santista?
Manoel - Já esteve mais presente. De qualquer forma, a gente é obrigado a entender, até por que a Cidade cresceu pouco nos últimos anos. Enfim, atualmente, a dificuldade existe para todos.
JV - Dentre todas as premiações que o senhor já recebeu, qual foi a que mais te marcou? Por que?
Manoel - Dentre todas que recebi, uma que recebi na Câmara marcou bastante. Era um troféu que simbolizava respeitabilidade e decência. Essa premiação, provavelmente, foi a que me deixou marcado.





6 Comentários para “Manoel Lourenço das Neves”
estava lendo o que eu escrevi me desculpe é que estou de olho no comp.e outro na novela como agora eu sou fanatica em novelas agora são 9, e 5 novela nova so vejo novelas da globo sempre fui assim m inha t. v. por incrivel que pareça ~e so na globo as outras não acho graça depois dessa novela não vejo mais nada vou rezar a oração do Santo sepulcro ai apago . p. s. onde esta a catacmba do meu pai DR.LAZARO DE MELLO? CMT. DE PAQUETA?
UM DIA CHEGO LA .boa noite
yvonne de mello
Por yvonne de mello em set 15, 2009
bom dia sou eu novamente me perdoa pelo que disse vcs são esforçados jorlalista iqual a vcs não tem iqual é que perco a paciencia tenho minhas razões eu canço de tantas mentiras as minhas voltas olha são mais de 45 anos sem comentarios
yvonne de mello
Por yvonne de mello em set 18, 2009
trabalhei com o senhor em santos no escritorio da uniao paulista mais ou menos em 1964 filho de um vigia de armazem oscar villar novoa hoje estou com 62 anos e foi praseiroso ver o senhor na epoca eu era garoto de recado
Por jose antonio villar lemos em dez 22, 2009
URGENTE - CASO DE VIDA OU MORTE
Para todas as pessoas responsáveis deste País.
Meu nome é Manoel Lourenço das Neves e sou Provedor da Santa Casa de Santos.
Nos meus 80 anos de idade eu nunca vi uma epidemia como esta que grassa a Baixada Santista.
O grande problemas está em que as autoridades sanitárias estão encobrindo o número de casos que estão acontecendo na região. Os hospitais estão superlotados, não existem vagas e, por conta disso, pessoas em estado grave estão sendo enviadas para casa com a recomendação de “retornar se piorarem”.
Como “se piorarem”?
Nos casos de dengue hemorrágica piorar quase sempre É MORRER!!!
Minha intenção ao divulgar essas informações é porque nós, responsáveis pelos hospitais da Baixada Santista não obtivemos resposta às nossas súplicas ao ministro José Gomes Temporão. Nós estamos além do nosso limite. Nossos profissionais estão tendo que decidir quem vive e quem morre.
Isto tem que parar!
Solução existe e não é difícil de implementar. É só instalar hospitais de campanha com a ajuda do exército e o deslocamento de profissionais de saúde para a região até que a situação esteja sob controle.
Porém os interesses financeiros de uma região turística e portuária são mais fortes.
Por conta dessa situação rogo a todos que NÃO VENHAM À BAIXADA SANTISTA e repassem essas informações ao maior número de pessoas possível.
Obrigado a todos e que Deus nos ajude.
Irmandade da Santa Casa da Misericordia de Santos
Manoel Lourenco das Neves
Provedor
Por Mário Délio em abr 18, 2010
é mto me orgulho de ver o comentario e ver meu nome nete jornal estive falando com o sr manoel lourençoele me garantiu que era mto. amigo do meu pai o famoso medico dr lazaro de mello e ele sempre falava de mimque ficou comingo até os 3 anos faeli pelo tlf. como vcs vem não sou nenhuma impostora obrigada
yvonne de mello
Por yvonne de mello em out 26, 2010
Li comentarios da dona yvone mello e acho que deve ser muito triste uma pessoa procurar pelo pai por mais de 40 anos e não encontrar ninguem que a ajude ! mas tenho certeza de que um dia eles (pai e filha) ainda se encontrarao !mesmo que seja em outra vida.
acho que se ela irmãos por parte de pai ele deveria procura-la. tenho certeza que não se arrependeria.
Por maria de fatima em jan 27, 2011