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- julho 6, 2009
“Minha responsabilidade é da melhoria da qualidade de vida da população vicentina”

Na última sexta-feira (26), o tenente-coronel Marcelo Afonso Prado assumiu o comando do 39º Batalhão da Polícia Militar, “Batalhão João Ramalho”, em São Vicente. O novo responsável pelo policiamento ostensivo preventivo na Cidade assumiu o posto do tenente-coronel Jairo Bonifácio. Em entrevista ao Jornal Vicentino, Prado fala sobre o vínculo sentimental com a Cidade, os programas e ferramentas da polícia para combater o crime, a importância da comunidade e do Poder Público no combate à violência e, ainda, sobre a questão envolvendo o aumento do efetivo da PM na Cidade.
São Vicente
Nasci em Santos, mas vim para cá pequeno e morei por 33 anos no Parque São Vicente. Estudei no Matteo Bei e fiz o 1º Colegial no Martim Afonso. Posteriomente, prestei vestibular para a Academia do Barro Branco no final de 1981 e fui aprovado. Saí aspirante oficial da PM em dezembro de 1984, vindo para o 6º batalhão. Nesta época, São Vicente não era batalhão, era a 4ª Companhia do 6º. Acabei sendo classificado e iniciei meu contato profissional com a Cidade. Já tinha o vínculo sentimental por ter morado tanto tempo aqui, passei a ter profissional. Trabalhei como tenente, capitão, saí na promoção para major, passei quatro anos fora, dos quais um ano e meio como coordenador operacional no 6º Batalhão em Santos e, posteriormamente, como Major Comandante Interino no 21º Batalhão que abrange Guarujá, Cubatão, Bertioga e Vicente de Carvalho. Agora na promoção a tenente-coronel em 24 de maio fui reclassificado para São Vicente, o que é um prazer por que tenho amigos aqui, o que faz com que minha responsabilidade aumente, pois sou uma pessoa que tenho bastante interesse que a Cidade seja segura.
Responsabilidade
A responsabilidade é de melhorar a qualidade de vida da comunidade vicentina. A PM abandonou há muito tempo o modelo empírico de distribuição do seu policiamento e nós procuramos hoje oferecer maior sensação de segurança, trabalhar em cima de informações quantitativas e qualitativas. Nós desenvolvemos o que chamamos de PL de Policiamento Inteligente. Nós temos uma ferramenta chamada Infocrim, que é empírica, mas já está sendo utilizada pelos comandantes da companhia. Em cima dele, descobrimos as áreas de interesse de segurança pública e, com isso, fazemos nosso planejamento, juntamente com uma ferramenta onde todos os oficiais tem um mapa do município e conseguem acompanhar em tempo real as ocorrências que estão acontecendo. Temos também o Fotocrim, que armazena a foto de 250 mil infratores de lei. Além disso ocorrem as reuniões dos Conselhos Comunitários de Segurança, onde nós recebemos informações e queixas da comunidade, o que é um lugar propício, porque está presente o comandante da companhia e o delegado titular do distrito, havendo um estreitamento de relação com a comunidade. Recolhemos informações publicadas em jornais, televisões e rádios para orientação do nosso policiamento e temos, também, o telefone 181, que é o disque denúncia. Com todas essas informações, traçamos nossa estratégia e distribuimos nosso policiamento.
Programas
Distribuimos nosso efetivo com os programas de policiamento. Temos o programa de policiamento de Ronda Escolar, junto às escolas, além do Policiamento Comunitário,que é feito por meio de bases móveis e fixas. Outro programa é a Rádio Patrulha, que atende ocorrências, e a Força Tática, aquela que aborda mais e tem liberdade, mas atende ocorrência, caso seja necessário. A Força Tática é uma versão menos potencializada da Swat, polícia especial norte-americana. Quando a Rádio Patrulha tem algum problema, ela chama a FT, que vem com homem altamente treinado e com equipamento diferenciado. Temos, ainda, as Rocans (motocicletas), que patrulham os grandes corredores como a Avenida Presidente Wilson, Antônio Emmerich, Jacob Emmerich. E o programa mais recente é um relacionado ao Trânsito. A Polícia trabalha de uma forma mais científica, onde todas as informações vão gerar o cartão de prioridade de patrulhamento. O policial trabalha 12 horas e quando não estiver atendendo ocorrência nesse período, ele tem que ter um norte e, nesse momento, entra o Policiamento Inteligente. Ele vai saber qual rua irá patrulhar, o horário que vai passar, além das pessoas que ele terá que contactar. Eventualmente, se tivemos as informações da atuação do crime organizado, veremos a foto disponibilizada no Fotocrim.
Segurança em SV
A PM vem, sucessivamente, baixando os indicadores criminais nos últimos anos. Chegamos num patamar que é dificil baixar ainda mais do ponto que chegamos, pois a Segurança Pública só vai existir, de fato, quando enxergamos por meio de visão sistêmica. O sistema funciona como um todo por interdependência das suas partes. Ou seja, você tem que simultaneamente, de forma integrada, atuar nos cinco setores que afetam diretamente a segurança. O primeiro setor são as políticas públicas. São Vicente mudou muito nas últimas administrações, os prefeitos Márcio França e, agora, o Tercio Garcia tem trabalhado de forma fantástica para mudar a cara da Cidade, mas ainda temos muitos problemas sociais. O segundo setor são as polícias; a Civil fazendo um excelente policiamento de investigação e a Militar fazendo um bom preventivo. O terceiro setor está o Judiciário e o Ministério Público. Tem que haver mais celeridade na resolução dos processos, ou seja, o criminoso tem que ser absolvido ou condenado rapidamente, porque se isso não acontece, gera sensação de impunidade e pelos nossos levantamento as maiores dos infratores são reincidentes. No quarto está o sistema prisional. O nome técnico do preso é reeducando, mas hoje as cadeias são verdadeiros depósitos de seres humanos e, no quinto setor, está o próprio cidadão, que tem que colaborar com a sua segurança. Muitas pessoas andam com os vidros de carros abertos, não seleciona itinerário que vão passar, ou seja, não atuam na prevenção primária. O Estado faz a prevenção secundária. Se o cidadão não colaborar tirando 5 mil reais na boca do caixa e saindo na rua, por exemplo, ele vai ser roubado. Vai ao pasteleiro na esquina, abre a carteira e puxa notas de 50 reais, outro exemplo. O infrator vai naquele que está mais fácil, ele seleciona o alvo e, toda vez que age com mecanismos de prevenção primária, faz com que a polícia tenha mais liberdade de patrulhar nas ruas. No Estado, em 2008, teve cerca de 25 milhões de intervenções; destes, 6 milhões e 500 mil viraram boletim de ocorrência. Destes, metade, aproximadamente 3 milhões, são ocorrências sociais. Ou seja, discussão de vizinho, briga de casal, perturbação do sossego público, situações que embora sejam problemas de ordem pública, se as pessoas tivessem mais equilibrio, tolerência e educação, as viaturas não seriam deslocadas para esse atendimento e permaneceriam fazendo o cartão de prioridades de patrulhamento.
Principais ocorrências
Nós trabalhamos em cima de nove indicadores criminais. O roubo em geral, furto em geral, roubo de veículos, furto de veículos, roubo a banco, roubo de carga, estupro, homícidio e latrocínio. São esses indicadores que buscamos baixar e trabalharmos de maneira mais forte. Só aqueles que dão sensação de segurança são roubo e homicídio. Por isso, temos feito um trabalho em cima das informações quantitativas e qualitativas e vamos trabalhar, principalmente, com operações no combate ao roubo e ao furto. Na semana que vem, nos reuniremos com o Dr. Rui, o delegado titular do Município, e faremos uma equipe de inteligência policial voltada para essas modalidades de delito e trabalhar forte para reduzir esses números.
Estrutura
No últimos governos temos, a PM tem recebido equipamentos, viaturas e dá para avaliar, de fato, se a segurança é boa quando todos os setores estão fazendo suas partes. A PM aborda mais, apreende mais armas, pessoas e, inclusive, trouxe números. Nesses primeiros meses, atendemos 2.600 ocorrências, foram 41. 900 intervenções. Buscas pessoais são 27 mil e158 prisões por contravenções penais (delitos menores): 9840 veículos fiscalizados, 643 autuados, sendo motos 579 e condutores autuados: 1223. São números que mostram o nosso trabalho e queremos potencializar ainda mais os números, bem como seguir as orientações do comando das instituição. Nós temos seis objetivos traçados pelo Governo do Estado, e existem as diretrizes das Secretarias e em cima dela trabalharemos as seguintes ações: transmitir sensação de segurança, manter o controle da criminalidade, incrementar o combate ao crime organizado, continuar o processo de modernização, valorizar o policial e dar continuidade ao processo de depuração interna.
Aumento do efetivo
Como eu falei anteriormente, em relação ao aumento do efetivo só saberemos a real necessidade do município quando houver aquele pensamento sistêmico em cima da segurança pública, quando cada um fizer a sua parte. A partir daí, em cima dessa integração, nós vamos verificar aquilo que restou em torno de policiamento ostensivo, que é apenas um dos setores. Com isso, poderemos dizer se é suficiente ou não. Uma situação que tem atrapalhado bastante são as escoltas, porque fazemos média de 200 escoltas por mês, que vão do presídio para audiências, hospitais e Fundação Casa. São situações que tem utilizado nosso policiamento, mas que desvirtua um pouco, poispertence à Secretaria de Administração Penitenciária. Fazemos por colaboração e continuaremos fazendo, ma se houver o treinamento do agente de escolta, criado justamente para esse serviço, poderíamos potencializar ainda mais o policiamento preventivo na nossa Cidade.
Poder Público
Eu digo que o Poder Público e a comunidade são os principais atores dentro das ações de Segurança Pública. O Poder Público por que faz as políticas, com emprego, educação, saúde e toda vez que isso não acontece impacta direta ou indiretamente negativamente na segurança pública. E o cidadão precisa não apenas adotar a prevenção primária, mas participar das ações dos conselhos comunitários de segurança, porque precisa haver uma ação local, com o pensamento global. Infelizmente são poucas pessoas participando e muitas vão lá para resolver o seu problema particular, esquecendo que vivemos numa comunidade e que precisamos pensar como um todo.
Monitoramento por câmeras
Quando eu cheguei aqui, uma das prioridades nossas era justamente ajudar a Prefeitura a potencializar esse vídeo monitoramento. Tem dado muito certo na Capital e em outras cidades do Estado. Acho que a partir do momento que houver essa parceria, ela funcionaria como um Big Brother, mas inibindo muito a prática do delito. Mais a frente, após o aumento do número de câmeras, seria importante a aquisição de um aparelho que faz a leitura da placa do veículo e identifica se está com o licenciamento vencido. Então vai atuar para inibir infrações de trânsito e o crime. A nossa idéia é realizar um Centro de Operações Integradas envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal e Trânsito, além de uma linha direta com o nosso Copom, acompanhada de um rádio. A ação acompanharia toda movimentação das nossas viaturas e seria nossos olhos, protegendo toda população vicentina de forma integrada.
Comunidade
Precisa ter umas mudanças de concepção pra que haja união e interatividade entre povo e polícia, pois assim terá confiança mútua. A Polícia tem que ser vista como guardiã da sociedade, da cidadania e promotora da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Estamos com projeto piloto no bairro Boa Vista, onde vamos usar a sede do Batalhão. Teremos uma base comunitária fixa, bem como uma viatura fazendo o patrulhamento nesta região, com12 homens sendo escalados para essa modalidade. O Sargento Martins é, inclusive, o elo da comunidade com a polícia. Já estamos na quarta reunião, aumentamos a sensação de segurança e pretendemos estender para toda nossa Cidade. A polícia comunitária que fazerá esse elo.
Expectativa
Eu tenho uma realização por estar aqui, sou filho da Cidade, tenho o título de cidadão vicentino e pessoas do meu convívio residem aqui. Tenho uma responsabilidade muito grande e, por conhecer as pessoas, sei que serei mais cobrado. Portanto, eu entendo que o comando do Batalhão tem que dar condições para que a frota de linha e o patrulheiro possam realizar mais e melhor os serviços. Nossa idéia é essa; motivar a tropa e cobrar produtividade. Com isso, por meio dessa integração entre comunidade e Poder Público, daremos uma segurança ainda maior para a população vicentina.





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