Nepotismo continua

Onze meses após o STF (Supremo Tribunal Federal) proibir o nepotismo na administração pública, o empreguismo de parentes continua no Senado. Em cinco gabinetes foram encontrados exemplos em que a regra é desrespeitada. Análise por amostragem feita pelo jornal Folha de São Paulo no novo Portal da Transparência da Casa constatou diversas burlas à súmula do STF, saudada em agosto passado, quando foi editada, como uma revolução moralizadora.
A medida proíbe nomear parentes até o terceiro grau, o que, para o STF, inclui avós, netos, pais, filhos, cônjuges, irmãos, cunhados, tios e sobrinhos. Deve haver duas condições para isso: que em ambas as pontas da relação os servidores ocupem cargo comissionado (de livre nomeação) e que trabalhem na mesma pessoa jurídica de qualquer dos três Poderes, ou seja, no mesmo órgão (o Senado, por exemplo).
Nos casos encontrados há uma legião de sobrinhos-netos, concunhados e primos de senadores que permanecem trabalhando em gabinetes do Senado. No segundo semestre do ano passado, após resistência inicial de senadores e deputados, várias pessoas foram exoneradas com base nas novas regras -87 servidores do Senado em setembro e outubro. O advogado-geral do Senado, Luiz Fernando Bandeira de Mello, afirma que “a questão ainda está sub judice no STF, mas, por precaução, orientamos os senadores a evitarem nomear pessoas que são parentes entre si”.
É triste verificar que o nepotismo ainda está muito presente no Senado. Um reflexo do que acontece em todo Brasil, mostrando que a corrupção e os privilégios continuam predominando e sendo mais importantes do que a formação profissional de muitos trabalhadores, que estudaram e batalham muito por oportunidades. Não se pode falar em democracia sem oportunidades iguais e só acabando com coisas como o nepotismo que será possivel conversar sobre igualdade e justiça.

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