Estágio: Vantagem para empresa e estudante

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Estágio. Método de aprendizado por meio do exercício de funções profissionais que agregam conhecimentos práticos somados aos teóricos aprendidos em escolas ou universidades e desenvolvidos num lugar de trabalho. Apesar do significado do dicionário, estagiar é, também, uma oportunidade do estudante iniciar sua carreira profissional e, sobretudo, adquirir experiência. A empresa, por sua vez, adquire um novo empregado que pode ser moldado de acordo com o perfil dela, além de trazer conhecimento do âmbito acadêmico para dentro do ambiente de trabalho.
Com a nova lei do Estágio, publicada em 26 de setembro de 2008, as regras para contratação de estagiários foram alteradas, o que gerou questionamentos entre estudantes e empresas. Inicialmente, diversas empresas interromperam - ou diminuíram - seu processo de contratações devido às dúvidas. Dez meses depois, com o esclarecimento das novas normas por meio de uma cartilha lançada pelo Ministério do Trabalho, tudo voltou ao normal. Quem garante é o supervisor da unidade Santos do Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola), Rodrigo Reis Sessa.
“No início, nós sentimos uma retração das empresas por conta de adaptação. A nova lei, como a grande maioria das leis do País, veio com muitos pontos de interpretação dúbia. Depois da publicação da cartilha, estudantes e empresas foram orientados e a retomada das contratações ocorreu naturalmente. Hoje, o processo já está igual ao que ocorria com a legislação anterior”, afirma Sessa.
Dentre as principais mudanças da nova lei estão a alteração da carga horário - que foi reduzida de 8 para 6 horas -, a implantação do auxílio transporte e o recesso remunerado de 30 dias. O recesso, segundo o supervisor, ainda gera algumas dúvidas quanto ao seu formato. “Erroneamente, o recesso foi divulgado como férias. Na verdade, ele é um período de 30 dias em que o estudante recebe a bolsa auxílio, mas não vai ao estágio. Já as férias envolvem um abono pecuniário e alguns outros tributos”, explica. FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 13º salário e 1/3 sobre férias são outros encargos que o governo isenta às empresas durante a contratação de estagiários.
Livre de diversos encargos, as empresas dão oportunidades a milhares de estudantes em todo o País. Com a oportunidade, o jovem encontra o caminho para ratificar a escolha que fez, uma vez que a prática é, na maioria das profissões, diferente da teoria.
De acordo com Sessa, a inserção do estudante no ambiente de trabalho é essencial para sua formação futura. “O contato do jovem com profissionais de diversas formações permite a criação do espírito de profissionalismo efetivo. Além disso, ele poderá ter um relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho, o que não é algo muito fácil de se adquirir, principalmente para quem está iniciando sua vida profissional”, ressalta.
Já as empresas, neste caso, identificam novos talentos e futuros profissionais que possam ser agregados a ela. No entanto, a visão de que a empresa enxergaria o estagiário como uma mão-de-obra barata foi muito debatida nos últimos anos. Mas para o supervisor do Ciee, essa imagem não existe mais. “Apesar de não criar vínculo empregatício, o estágio numa empresa demanda treinamento, o que gera um custo. Atualmente, as empresas estão preocupadas em encontrar as pessoas certas, independentemente de ocorrer uma possível despesa”, finaliza.
CIEE
O Ciee Santos concentra, atualmente, cerca de 15 mil currículos cadastrados em seu banco de dados, entre estudantes de ensino médio, nível técnico e superior. O trabalho da instituição consiste na seleção de estudantes que se encaixem no perfil de empresa contratante. Após a abertura de uma vaga para estágio, os jovens cadastrados no banco de dados do Ciee são contactados e informado sobre a oportunidade de emprego. Em média, o Ciee realiza 300 contratações por mês, segundo Sessa.
Rafaela de Andrade, de 18 anos, está entre os 15 mil inscritos no Ciee. Procurando uma vaga de estágio há um ano, Rafaela deseja ingressar no mercado de trabalho para, principalmente, conseguir sua independência financeira. “Além da experiência que vou adquirir com meu primeiro emprego, não dependerei mais financeiramente de terceiros”, conta.

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