Personalidades
- setembro 8, 2009
João Bernardo

Determinado e benevolente. Esse é João Bernardo, o JB, administrador de uma produtora e apresentador do Programa JB, da TV Santa Cecília.
Na infância, perdeu o pai, vítima de um assassinato, e foi criado pelos avós e a mãe, a quem ajudou trabalhando numa barraca de frutas, no canal 3. Posteriormente, no período da adolescência, ingressou num banco e, em seguida, numa empresa de Cubatão como estagiário.
Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Recursos Humanos, JB trabalhou ainda no grupo A Tribuna, onde implantou procedimentos como chefe de RH. O Colunismo Social surgiu em sua vida por meio de uma coluna no jornal Boqueirão News. Com a compra da TV Santa Cecília por Marcelo Teixeira, JB foi convidado para comandar um programa do gênero na emissora.
Hoje, há doze anos no ar, é uma das principais referências do Colunismo Social na Região e no País. Em entrevista ao Jornal Vicentino, JB fala sobre sua infância, seus trabalhos antes de se tornar apresentador, além de demonstrar seu lado humano, sempre presente em suas reportagens. A seguir, confira a entrevista na íntegra:
Jornal Vicentino - Onde você nasceu e quais as principais lembranças da infância?
João Bernardo - Eu nasci em Santos e as lembranças que tenho da infância são algumas brincadeiras de rua, diferentes das que acontecem hoje. Na época, o pessoal sentava na porta em frente à casa, na calçada, e brincava de taco, esconde-esconde, futebol. Lembro que eu era bom no taco e no futebol. Depois, um pouco mais velho, surfei bastante.
JV - Onde o senhor estudou? E como era seu desempenho na escola?
JB - Sempre fui um aluno mediano. Mediano para baixo até, inclusive. Estudei em diversos colégios, Olavo Bilac, Luis de Camões, Ramos Lopez, Oswaldo Cruz, enfim, passei por vários. Quanto ao meu comportamento, até certa idade eu era comportado. Depois, no ginásio, fiquei um pouco mais bagunceiro. Mas não era nada ruim, uma vez que era bagunça de molecada mesmo. Apesar disso, não costumava sair da sala de aula.
JV - Depois de terminar o colégio, como foi seus primeiros trabalhos?
JB - Eu comecei a trabalhar cedo. Minha mãe tinha uma barraca de frutas no canal 3 e eu trabalhava com ela. Meu pai, que também trabalhava com isso, foi assassinado quando eu tinha 6 anos. Ele trabalhava na Prefeitura e, paralelamente, tinha um carro de frutas. Devido a um desentendimento com um funcionário, acabou sendo assassinado. A partir daí, minha mãe teve que trabalhar mais e cuidar de quatro filhos sozinha. Desde meus 14 anos de idade, comecei a ajudá-la, levava almoço para ela, ficava na banca de frutas enquanto ela fazia serviços de banco e outras tarefas. Aos meus 18 anos, trabalhei num banco. Posteriormente, acabei tendo uma banca de frutas no Ferry Boat. Lembro que “bombava” no verão, o movimento era grande, vendia muitos abacaxis em pedaços e descascava eles, também (risos). No entanto, o movimento dessa banca só era bom durante o verão, uma vez que no inverno não vendia quase nada. E você não pode só se viver durante o verão. Devido a isso, comecei a trabalhar em outro emprego. Vendi a banca e, pouco tempo depois, alguns amigos me falaram que tinha vaga no terno, que são aquelas três pessoas que descarregam barcos de pesca. Lembro que além de estocar caixas com sardinhas nos caminhões, eu levava algumas para casa e vendia pela vizinhança. Era uma forma de ter mais um pouco de renda, além da “paga do dia”, que eu recebia pelo serviço do terno.
JV - Você é graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Recursos Humanos. Como foi o trabalho nesses setores?
JB - Um amigo meu, que hoje é um executivo bem sucedido, me falou a respeito de uma vaga de estágio na área de RH de uma empresa de Cubatão. Como eu cursava Administração de Empresas, aceitei a oportunidade e, seis meses depois, fui contratado por uma empreiteira. Lá, fui crescendo, virei analista de Recursos Humanos e analista de Cargos e Salários. Depois, concorri a uma vaga no Grupo Ultra, em São Paulo. Entrei, participei da implantação de uma empresa e fiz uma carreira de executivo. No entanto, me desencantei com o sistema, que era muito idealista. Felizmente, acabou surgindo um convite em Santos para trabalhar na A Tribuna. Trabalhei lá como chefe de RH durante um ano. Apesar do pouco tempo, tenho consciência que contribui muito com a empresa. Para ter um exemplo, as pessoas saíam da Rua João Pessoa e passavam por dentro da empresa para chegar à General Câmara. Implantei normas e procedimentos de circulação, crachá com foto, além de descrição de cargos. Como era uma empresa familiar, houve muitas restrições. De qualquer forma, entreguei o pacote que me foi proposto e, ainda, fui eleito Coordenador de Remuneração e Benefícios, em Brasília, devido ao meu histórico profissional. Após esse trabalho, fui para a extinta Rádio Enseada, a convite de Flávio e Sérgio Righi, para trabalhar na área comercial. Mas não fui muito bem sucedido, pois minha área não era a comercial. Eu tinha uma certa resistência, uma vez que não sabia vender. Depois desse emprego, resolvi procurar outro nicho de mercado e, nessa época, um amigo de SP veio para cá e se formou cabeleireiro. Me interessei pela área, fiz um curso de beleza e tive um salão de beleza por dez anos.
JV - E como você foi parar no Jornalismo? Já havia algum interesse pela área?
JB - Devido ao meu trabalho na A Tribuna, conheci muitos jornalistas, como Humberto Chalub e Rodolfo Amaral. Nessa época, eu estava há cinco anos com o salão de beleza. Certo dia, fui buscar minha filha na casa da mãe dela e, enquanto eu a esperava, o porteiro me deu um jornal para eu ler; era o Boqueirão News. Li o jornal, achei interessante e, depois, fui olhar o editorial. Li os nomes e vi o Humberto, o Rodolfo e outros da A Tribuna. Levei o jornal comigo para o salão de beleza e, um dia, resolvi ligar para o Humberto. Conversei com ele e, depois, o Humberto acabou me convidando para tomar um café. Conversamos, ele explicou o motivo da mudança de jornal. Ele perguntou o que eu achava do Boqueirão News, eu disse que havia gostado do material e acabei citando a Coluna Social do Boqueirão News. Eu havia falado que precisavam incrementar a coluna, dei algumas dicas e, em seguida, ele disse que eu tinha um perfil para trabalhar naquele espaço. Pois bem, a coluna tinha um custo, comecei a escrevê-la e, devido aos meus contatos, consegui diversos pequenos patrocinadores para ela. E consegui conciliar o trabalho no salão de beleza e no jornal.
JV - E o Programa JB, como surgiu a idéia?
JB - Fiquei dez anos fazendo essa coluna, mas, no quinto ano, o Marcelo Teixeira comprou a TV Santa Cecília e queria fazer um programa com o perfil da coluna, no estilo Charles Martinez, no Regional, e Amaury Jr, no âmbito nacional. E foi aí que surgiu o convite para fazer o programa e, assim, começou o Programa JB.
JV - A profissão de colunista social é totalmente diferente da de administrador de empresas. O início dos trabalhos foi difícil?
JB - Inicialmente, a equipe da TV superdimensionou o projeto e me senti acanhado, uma vez que não tinha experiência alguma com aquele tipo de trabalho. Além disso, a equipe levava luzes e todas as parnafenalhas do programa, e tudo aquilo me incomodava. Quando você está no evento, deve se adaptar a ele, e não interferir e criar um “circo” no meio. Tanto que, hoje em dia, trabalhamos apenas com uma pequena câmera de ombro e fazemos nosso trabalho discretamente. O início foi complicado, pois eu não era jornalista, apenas um apresentador. Lembro que paguei alguns micos (risos). Mas para superar as dificuldades, sempre me espelhei nos ícones da área, fui me enquadrando e o programa foi fluindo. Entretanto, com quatro anos de programa, além desse trabalho, eu ainda tinha o salão e a coluna no jornal. E estava difícil manter os três empregos com uma qualidade aceitável. Vendi o salão de beleza para meus funcionários e resolvi me dedicar apenas ao colunismo social. E está dando certo, pois já estou há 12 anos fazendo isso.
JV - Como funciona sua rotina de trabalho?
JB - Neste segundo semestre, trabalhamos muito, graças a Deus. Costumo ir dormir por volta de duas, três da manhã. Às vezes, para não acumular trabalho na produtora, resolvo alguns negócios em casa, conversando com clientes na minha residência mesmo. Aqui, na produtora, resolvemos pendências da empresa e a parte comercial do programa. Além disso, há o trabalho da edição, onde dou alguns palpites a respeito de imagens e músicas que entrarão no Programa JB. Acredito que eu tenha experiência e sensibilidade para chegar próximo ao formato do programa que eu quero. Enfim, hoje minha empresa tem missão, visão e comprometimento, que foram metas estabelecidas em uma consultoria que realizei na produtora.
JV - Na sua opinião, o Colunismo Social sofre muito preconceito no jornalismo?
JB - Acredito que o preconceito está muito relacionado à forma de condução do Colunismo Social. Eu não sou uma pessoa afetada, o sucesso não me subiu à cabeça, e as pessoas dizem que eu mantenho a mesma postura de quando comecei, há doze anos. E isso, de certa forma, me orgulha. Além disso, fazemos um trabalho social muito grande por aqui. Nos meus últimos sete aniversários, em função da projeção que ganhei, acabei aglutinando muitas pessoas e parceiros. Todo presente que ganho, reverto para entidades carentes, e esse ano arrecadei R$ 42 mil; R$ 30 mil em espécie e R$ 12 mil em medicamentos doados pelo Pelé e a Poupafarma. Quem recebe essa doação são as representantes das entidades e o dinheiro não passa por mim, para que não haja nenhuma dúvida, pois existe filantropia e pilantropia (risos). Muitas vezes, você ganha tanta coisa que nem usa. Às vezes, eu até repreendo alguém que me dá algum presente, devido a alguns exageros. Há uns dias, fui trocar uma camisa no shopping Iguatemi, em São Paulo, uma camisa de 880 reais. O que vou fazer com uma camisa de 880 reais? Eu gostaria que isso tivesse vindo em espécie para poder doar a alguma entidade. Pois bem, fui trocar a camisa por outra coisa, mas o preço era inferior e não havia nada que completasse os 300 reais restantes. No caso, eu precisaria reembolsar ainda mais 200. Presente de grego, né (risos)? Mas voltando à questão do preconceito, o Colunismo Social só sofrerá preconceito quando a conduta de trabalho der margens às críticas.
JV - Dentre todas as entrevistas que você já fez, há alguma que te marcou? Por que?
JB - Não há uma específica que marcou, pois a ficha vai caindo de acordo com o tempo. As pessoas tem mania de mitificar as pessoas e colocar barreiras. Às vezes, muitas pessoas colocam barreiras, pois não são tudo aquilo que falam. Eu, por exemplo, vendi frutas para muitas pessoas que eram “bacanas” e saíam frequentemente em colunas sociais. Hoje, transito por essas pessoas e elas me prestigiam. A vida é engraçada, pois dá muitas voltas, né? Além disso, lutei muito para aprender a vender e, hoje, 90% das minhas vendas são passivas. E isso é o maior privilégio e orgulho que posso ter.
JV - Mas há alguma pessoa que você gostaria de entrevistar? Por que?
JB - Na verdade, não existe uma, pois não sou jornalista e minhas matérias não possuem cunho jornalístico. Sou apenas um interlocutor para passar informações de que as pessoas estão fazendo em determinado evento. É claro que quero dar espaço para pessoas que falem a verdade, abominem a impunidade e, principalmente, lutem para diminuir esse abismo social que existe atualmente. Essa é a minha bandeira e o que tento demonstrar no programa.
JV - Como é a receptividade dos telespectadores nas ruas?
JB - Eu me surpreendo. Às vezes, estou na padaria, numa fila de banco, e aparecem pessoas para me prestigiar. Inclusive, até em São Paulo, pois exibo o programa na capital, numa versão reduzida de meia hora. Muitos dizem que sou louco, pois gasto 100 reais por semana com motoboy, mas faço isso por que acredito no meu produto.
JV - Quais são seus próximos objetivos profissionais?
JB - Na verdade, no meu tipo de atividade, quero puxar o freio, não quero muito mais do que tenho agora. Estou bem e quero apenas consolidar minha produtora, mantendo meu programa e, talvez, até diminuir a carga horária do programa. Hoje, o Programa JB vai ao ar de segunda a sexta, às 21h, além de ser exibido aos sábados e domingos, também. É a maior visibilidade deste segmento na TV. Enfim, pretendo apenas estruturar cada vez mais minha empresa e dar oportunidades para as pessoas.





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