Editorial
- setembro 24, 2009
Abrigo ou asilo?
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, solicitou ao Brasil que defina que status oficial foi dado ao presidente deposto Manuel Zelaya, que está abrigado na embaixada brasileira há dois dias. Já era tempo, até agora não sabemos o que Zelaya está fazendo lá. Isso porque o Brasil é obrigado a lhe conceder asilo político, mas não abrigo, como é o que ele vem fazendo no local.
Desde que foi eleito, em 2005, se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição.
Ele é acusado de ter violado a legislação hondurenha ao propor um referendo para mudar a Constituição e assim permitir a reeleição. O presidente deposto responde que a reeleição seria válida apenas a partir de seu sucessor. Esse debate levou ao golpe que tirou Zelaya do poder em 28 de junho.
De dentro da embaixada, Zelaia vem incitando a população a violência. Ao invés de ficar quieto, como todo asilado, ele usa a embaixada brasileira para fazer comícios para a população de Honduras, violando as normais de direito internacional, porque a única condição em que, de acordo com as normas internacionais, seria permitida a presença dele lá, seria como asilo político.
O presidente Lula se diz imparcial, mas já se manifestou chamando o Governo de Honduras de golpista e permitindo tal situação, ou seja, parecendo favorável também a Hugo Chavez. Porque Zelaya não foi pedir abrigo na embaixada venezuelana? Lula teve que sair de cima do muro, resta saber se escolheu o lado correto.





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