Personalidades
- outubro 10, 2009
Pedro Emílio

Ele ama o que faz. Esse é Pedro Emílio, 49 anos, natural da cidade de São Lourenço (MG), jornalista e radialista
desde os 15 anos de idade.
Já durante a adolescência, Pedro trabalhava no veículo de comunicação em massa mais antigo do planeta. Iniciou suas atividades na Rádio Cultura, após convite do proprietário da emissora, Pedro Mansur. Lá, aprendeu como funcionava o rádiojornalismo e começou a apresentar programas semanais e diários. Adquiriu experiência, se formou na Universidade Católica de Santos e foi para São Paulo, onde trabalhou nas rádios Manchete e Jovem Pan.
Já na Baixada Santista, o jornalista mineiro atuou nas rádios 95, Mix e Kiss FM. Atualmente é apresentador do jornal da Litoral FM, que vai ao ar todo os dias, às 19 horas. Mesmo com mais de 30 anos dedicados ao Jornalismo e, sobretudo, ao Rádio, Pedro Emílio não esqueceu de suas raízes. Ele intercala o trabalho na Região com negócios em Minas Gerais, onde pretende ficar após encerrar suas atividades no Jornalismo. A seguir, confira a entrevista na íntegra com este grande ícone do Rádiojornalismo brasileiro:
JV - Onde você nasceu e quais as principais lembranças de infância?
Pedro Emílio - Nasci em São Lourenço, no sul de Minas Gerais. Fiquei na cidade mineira até os oito anos de idade, pois, em seguida, meus pais vieram a trabalho para a Baixada Santista. Meu pai era espanhol e, quando chegou da Espanha, veio morar em Santos. Mas depois conheceu o sul de Minas, onde gostou bastante e resolveu morar lá. Anos depois, voltamos à Região. As brincadeiras da época eram bem diferentes de hoje; Internet nem pensar (risos). Como o sul de Minas conta com uma zona rural muito grande, tínhamos uma convivência mais próxima às brincadeiras na natureza, como andar no meio da mata. Além disso, eu mesmo fabricava meus próprios brinquedos.
JV - Onde o senhor estudou e como era seu desempenho escolar?
Pedro Emílio - Estudei em Minas Gerais e, quando vim para a Baixada, estudei num colégio estadual em São Vicente, uma vez que morava próximo da escola. Sempre fui um bom aluno, só não me dava muito bem com Matemática. Quanto ao comportamento, eu era um aluno tranquilo e tinha uma boa convivência com os colegas.
JV - Após terminar os estudos, onde trabalhou?
Pedro Emílio - Terminei os estudos e prestei vestibular na Universidade Católica de Santos. Na época, fui o primeiro aluno a introduzir o Jornalismo no FM, uma vez que as grandes emissoras da época, como Transamérica e Jovem Pan, só trabalhavam com músicas. O Jornalismo tinha apenas espaço em rádios de frequência AM. Em Santos, inauguramos a rádio 95 FM, que foi a primeira a trabalhar com o Jornalismo.
JV - Como surgiu a paixão pelo Rádio?
Pedro Emílio - Quanto eu tinha 14 anos, trabalhei na Promar, uma empresa de administração no bairro do José Menino. Nessa época, acabei conhecendo o Paulo Mansur, pai do deputado Beto Mansur. Ele foi à empresa em que eu trabalhava por alguma razão e acabamos nos conhecendo. O Paulo me convidou para conhecer a sua emissora de rádio e, pouco tempo depois, estava trabalhando com ele.
JV - Ficou muito nervoso ao fazer sua primeira transmissão radiofônica?
Pedro Emílio - A primeira emissora que trabalhei foi a Cultura, a emissora da família Mansur. Lembro que eu tinha apenas 15 anos de idade e foi lá que eu comecei a desenvolver meu trabalho. Comecei fazendo programas aos finais de semana e, meses depois, comecei a trabalhar diariamente. E não fiquei apenas atuando na Região. Nos primeiros trabalhos é claro que fiquei um pouco nervoso e não tinha muita confiança, pois eu estava começando. Mas com o tempo, fui aprendendo e me acostumando com a rotina de radialista. Certo tempo depois, fui trabalhar em São Paulo, na Rádio Manchete e na Jovem Pan, onde apresentava rádiojornal, também. Esses trabalhos na capital, inclusive, foram muitos enriquecedores para minha formação. O mercado em São Paulo é diferenciado, pois lá estão os melhores profissionais do País e, automaticamente, contribui com seu trabalho.
JV - Com trabalhos na Baixada e na Capital, nunca mais voltou a Minas Gerais?
Pedro Emílio - Embora eu trabalhasse no Estado de São Paulo, nunca deixei de ter meu contato com a cidade de São Lourenço. A prova disso é que, atualmente, concilio meu tempo. Faço os trabalhos jornalísticos aqui na Região e trabalho com outros setores em Minas Gerais. Aliás, há alguns anos que eu tenho pouco tempo para trabalhar com Jornalismo. Eu tinha passado a atuar como convidado de programas devido aos meus projetos fora do Estado. Um desses meus projetos em Minas consiste no desenvolvimento de uma nova água mineral para o mercado.
JV - Você trabalhou na Rádio Mix FM. Por que os trabalhos foram encerrados?
Pedro Emílio - Sim, começamos os trabalhos com a Mix FM e, quando acabou o contrato, firmamos uma parceria com a Kiss FM. A Mix era uma rádio mais popular, com um traço mais jovem. Já a Kiss conta com um público mais adulto, com músicas voltadas para o gênero de Rock.
JV - Atualmente, você está na Litoral FM. Como está sendo essa experiência?
Pedro Emílio - Os trabalhos voltados para o Jornalismo estão sendo mais fortes nesta rádio, desde a época que a sede era na Capitão-mor Aguiar, na década de 80. Aquele modelo deu muito certo, pois contávamos com uma equipe muito boa de comentaristas, formada pelo Vicente Cascione, Rubens Lara, Nelson Fabiano, entre outros. Além disso, Geraldo Schenkel me ajudava com os trabalhos de produção. Atualmente, temos uma boa recepção do público ouvinte, pois não fazemos um jornalismo “pesado”. Trabalhamos com conteúdo, opinião e sempre preocupados em informar os ouvintes da melhor forma possível. Há um rodízio durante a semana de profissionais, com o Nelson Fabiano, Márcio Calves, Roberto Mohammed e outros profissionais. Enfim, é uma fórmula que dá certo. Tudo que acontece durante o dia é repassado aos ouvintes de uma forma mais analisada e explicada.
JV - Na sua visão de comunicador, o que acha da polêmica da não exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista?
Pedro Emílio - Eu não acho essa questão relevante, porque uma grande empresa jornalística não vai deixar de contratar uma mão-de-obra acadêmica e técnica para trabalhar com alguém despreparado. O próprio mercado é seletivo e para o profissional não vai mudar muito do que já vinha ocorrendo. Mas acredito que nenhuma profissão sem formação consegue atuar com qualidade no mercado. Antigamente não existia cursos, mas, depois, a evolução das coisas exigiu para que existissem. De qualquer forma, a formação é importante por isso, pois é sinônimo de qualificação.
JV - Hoje, depois do crescimento da Televisão e da Internet como meios de comunicação, o profissional de rádiojornalismo ficou pouco valorizado?
Pedro Emílio - Creio que não, pois isso é questão de oportunidade. Um veículo agrega o outro. Quanto mais equipamentos, mais oportunidades para os meios de comunicação. O Rádio é extraordinário e nenhum veículo ofusca o outro. Pelo contrário, ele acrescenta.
JV - Muitos falam que, assim como o jornal impresso, o rádiojornalismo pode acabar. Você acredita nisso?
Pedro Emílio - O Rádio nunca vai deixar de existir. Se o mundo acabar, o rádio estará lá para informar. Como eu havia falado, tudo é uma questão de adaptação. Hoje, por exemplo, uma emissora de rádio não pode deixar sua grade de programação fora da Internet. Está aí, mais uma vez, a prova da união dos veículos. O rádio anuncia o jornal impresso e vice-versa, também.
JV - Como é a sua rotina de trabalho?
Pedro Emílio - Como eu disse, divido meu tempo entre Baixada e Minas Gerais. A cada 15 dias, viajo para Minas. Pela manhã, faço trabalhos pessoais, como contatos telefônicos. À tarde, após o almoço, venho para a rádio e começo a formatar o jornal das 19h da Rádio Litoral. Já chego com a ideia pronta e vou distribuindo as pautas para quem trabalha comigo. Após o programa, à noite, chego em casa para descansar. Mas, na verdade, nunca descanso completamente. Tomo um banho e já começo a assistir noticiários para me informar sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Além disso, duas vezes por semana, às 6h da manhã, faço uma corrida matinal, até para correr atrás da notícia (risos).
JV - Quais são seus próximos objetivos profissionais?
Pedro Emílio - Estou há 30 anos trabalhando com Jornalismo e pretendo ficar mais alguns anos na área. Após isso, quero dedicar meu tempo para meus trabalhos na fazenda, em Minas Gerais, e colocar uma nova marca de água mineral no mercado. Ou fazer parceria com alguma empresa existente para distribuir esse produto.





Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente o ponto de vista da Editora, podendo até mesmo ser.