A jovem da Uniban

“Às vezes precisamos de um certo estardalhaço para refletir”. A frase do vice-reitor da Universidade Bandeirante (Uniban), Ellis Brown, mostra o quanto a imprensa é importante na resolução de diversas injustiças na sociedade e, também, como uma instituição de ensino está muito mais preocupada com a visibilidade negativa que um fato pode causar na universidade, do que com o bem-estar dos seus alunos.
O caso como é de conhecimento de todo Brasil refere-se a estudante Geisy Arruda. No dia 22 de outubro, ela foi humilhada e xingada por outros alunos por usar um vestido curto. A situação mostrada para todo País por vídeos gravados por amadores, ganhou ainda mais notoriedade depois das medidas tomadas pela faculdade.
A vítima tornou-se a grande vilã da história. Com argumentos rídiculos como “ela tirou o casaco”, “ela subiu pela rampa”, “ela fez um caminho mais longo para chegar na sua sala”, a Faculdade decidiu não apenas expulsá-la, mas também anunciar a medida em anúncios publicados em diversos jornais do Estado. Com relação aos estudantes, “falsos moralistas”, que deveriam ser punidos, justificou suas atitudes falando que defendiam a honra a ética da instituição.
Mídia, parlamentares, governo, feministas, a sociedade fez um estardalhaço contra a atitude tomada pela Uniban, que não pode nada mais fazer, além do que reintegrar a jovem ao seu quadro. Um exemplo típico de violência de gênero e de violação dos direitos humanos que precisou ser reparado, mesmo que a muito custo, depois de tantas justificativas machistas.
Não importa o que Geisy Arruda vai fazer daqui pra frente. Se ela vai viver 10 minutos de fama, vai pousar para Playboy, isso definitivamente não muda em nada o caso. O que não se pode tolerar é uma agressão e opressão a uma mulher que usa a roupa que ela quer, em um mundo onde o seu corpo é visto como mercadoria, onde bundas e peitos são usados para vender cerveja na televisão. E não se pode esquecer: punição severa a todos os agressores!

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