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- novembro 23, 2009
Os efeitos do uso da pílula do dia seguinte

Pílulas de contracepção de emergência, popularmen-te chamadas de “pílulas de dia seguinte”. Elas são vistas como um “medicamento milagroso” para muitas mulheres que tem relações sexuais e não querem engravidar. Mas, o uso desenfreado das pílulas vem causando preocupação em especialistas, já que as usuárias podem ter problemas sérios com a utilização indiscriminada do remédio.
Como o próprio nome diz, trata-se de uma pílula emergencial em uma suspeita de gravidez. “Ela precisa ser utilizada em casos como estupro, ruptura de uma camisinha, nesses casos há a indicação de uma anticoncepção de emergência”, afirma o responsável pela Saúde da Mulher de São Vicente, Gerson Aranha.
A pílula do dia seguinte não interrompe uma gravidez, ou seja, não é abortiva. “Ela evita que o óvulo de encontre com o espermatozóide e não consiga se implantar dentro do útero. A pílula vai retardar a ovulação”, explica o médico. Quanto mais tempo o remédio é tomado após a relação, menor a eficácia. A resolutividade nas primeiras 12 horas chega à 75%¨. Com o passar do tempo, a pílula perde o efeito.
O problema do uso desenfreado das pílulas são porque elas possuem uma dosagem hormonal muito alta. “A pílula faz com que haja uma alteração no endométro (tecido que recobre o interior do útero), na mobilidade das trompas, fazendo com que os óvulos retardem seu caminhar e os ovários demorem para fazer a ovulação”.
Com isso, ele cita como principais problemas causados à mulher a irregularidade menstrual, o surgimento de hemorragias e suspensão da menstruação por tempo indeterminado. Fora da esfera ginecológica, pode haver alteração do ritmo cardíaco, problemas de trombose, principalmente para as pacientes que fumam.
“A pílula jamais pode ser usada como um anticoncepcional normal. Ela pode causar uma irregularidade cíclica tão grande que depois que não é possível controlar mais o paciente. Existem meninas que tomam quase que diariamente, alterando seu sistema hormonal. Quando não há mais a regra, a própria pílula em um momento que ela for usada pode favorecer a ovulação ou simplesmente não ter nenhum efeito”, conta. Ele ressalta que uso não é justificável, visto que hoje há diversos outros métodos de anticoncepção como adesivos, anéis vaginais, injeções, Dius, implantes, além da própria camisinha.
Segundo Gerson Aranha, o uso indiscrimado já virou motivo de preocupação em relação à saúde da mulher. “Hoje no Brasil temos um sério problema de saúde pública, porque muitas medicações são vendidas na farmácia sem qualquer orientação ou receita médica. Muitas pessoas não usam de má fé, porque não entendem tecnicamente não sabem como funciona. As farmácias precisam se regularizar e o Governo fiscalizar”.
Ele enfatiza que a mulher precisa primeiramente procurar um médico para ter todas as orientações necessárias. “No caso de estupro, por exemplo, é necessário fazer exames para ver a possibilidade de doenças sexuais, recolher o espermatozóide para que se possa fazer posteriormente exame de DNA. Em casos indicados, a própria Prefeitura cede a anticoncepção de emergência”, diz.
Para ele, o mais importante é que haja a conscientização sobre o uso da camisinha, que além de evitar a gravidez indesejada, principalmente na adolescência, evita o surgimento de doenças sexualmente transmissíveis.





1 Comentário para “Os efeitos do uso da pílula do dia seguinte”
Prezado Dr. Gerson Aranha.
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa em abordar este tema. Sou farmacêutica e conheço os riscos que altas dosagens de estrogênio ou progestogênio podem causar à fisiologia feminina.
Contudo, gostaria, se me permite, de discordar de uma colocação que o senhor fez, referindo-se a este medicamento como não sendo abortivo: “Ela evita que o óvulo se encontre com o espermatozóide e não consiga se implantar dentro do útero. A pílula vai retardar a ovulação.”
Num primeiro aspecto, sua própria colocação já deixa evidente o caráter abortivo desta pílula. Ao dizer que ela evita a implantação do óvulo fecundado, significa que ela impedirá a continuação do processo JÁ INICIADO do desenvolvimento embrionário (mesmo que neste momento o nome técnico seja blástula).
O senhor poderia contra-argumentar dizendo que ela é sim contraceptiva e não abortiva, respaldado por informações da própria fabricante (como por exemplo a bula e monografia disponibilizadas pela Ache). Ora, em pesquisa realizada em 2001, o próprio fabricante dizia que o mecanismo de ação da droga era impedir a nidação do óvulo fecundado. Transcrevo:
O discurso do fabricante em 2001
O mecanismo de ação descrito acima era confirmado pela própria Aché, que no Brasil, desde a publicação da Portaria n.º 204, de 11 de março de 1999, da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) comercializa a droga sob o nome de Postinor-2. O parágrafo a seguir foi transcrito do próprio site da Internet em 2001
“Como funciona o método de contracepção de emergência Postinor-2?
Se você tomar o primeiro comprimido de Postinor-2 até 72 horas após ocorrer uma relação sexual desprotegida ele vai impedir ou retardar a liberação do óvulo do ovário, impossibilitando a fecundação ou, ainda, impedirá a fixação do óvulo fecundado no interior do útero (a nidação), através da desestruturação do endométrio (parede interna do útero).” (Disponível em http://www.postinor2.com.br. Acesso em 28/04/2001)
“Acredita-se que Postinor-2 age para prevenir a ovulação, a fertilização e a implantação. Não é eficaz uma vez iniciado o processo de implantação. Os seguintes sítios de ação participam da ação contraceptiva do Postinor-2:
(1) eixo hipotalâmico-pituitário-ovariano;
(2) inibição da ovulação dependendo do horário e da frequência de ingestão;
(3) fator endometrial (inibição direta da implantação ou efeito direto sobre a blástula)…” [os grifos são meus].
O fato que o próprio laboratório fabricante admitia é este: a pílula impede que o ente humano concebido na trompa venha a se implantar no útero.
Se o ser em PROCESSO de formação encontra-se ainda nas trompas ou no útero não o desabona de ser humano, pois, desde o momento da concepção, já seria possível, por análise de DNA, distingui-lo de seus genitores e (descontado é claro o exagero do exemplo), caso tivesse ele cometido um crime, por análise de DNA também, poderiam, sem dúvida nenhuma, serem inocentados pai e mãe e ser o embrião o acusado, dada sua total pertença ao gênero humano e autonomia de seu eu em relação aos pais desde a concepção.
Dada a tamanha evidência do caráter abortivo da pílula do dia seguinte, o site acima citado foi retirado do ar e agora, as bulas simplesmente ignoram e até mentem sobre o efeito anti nidatório do medicamento, focando-se apenas em seu possível efeito contraceptivo:
“Assim sua ação pode se dar: pela inibição ou retardo da ovulação; por dificultar o ingresso do espermatozóide no útero; por alterar a passagem do óvulo ou espermatozóide pela tuba uterina. Se já tiver ocorrido a fecundação, ou seja, a união do espermatozóide com o óvulo formando o ovo, a medicação não mais agiria, por não apresentar ação no endométrio”.
http://www.ache.com.br/scripts/produtos/produto.asp?idClasse=0&idPrincipio=0&idProduto=66> Acesso em: 10 fev. 2008.
Portanto, uma droga que em 2001 era abortiva, agora não seria mais. O mesmo diz hoje o Ministério da Saúde: “Não existe nenhuma sustentação científica para afirmar que AE seja um método que resulte em aborto, nem mesmo em um percentual pequeno de casos. As pesquisas asseguram que os mecanismos de ação da AE evitam ou retardam a ovulação, ou impedem a migração dos espermatozóides. Não há encontro entre os gametas masculino e feminino e, portanto, não ocorre a fecundação”.
BRASIL. Ministério da Saúde. Anticoncepção de Emergência. 28 jan. 2008. Elaboração: Jefferson Drezett. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/artigo_anticoncepcao_emergencia_2008.pdf Acesso em: 09 fev. 2008.
Haveria alguma chance de essa pílula funcionar como anticoncepcional? Haveria, mas só acidentalmente. Um relógio de pulso – que é fabricado para mostrar as horas – pode, acidentalmente proteger um cidadão contra uma bala perdida. A pílula do dia seguinte, feita para provocar um aborto, poderia, por acidente, impedir a concepção.
Infelizmente, quando existem enormes conflitos de interesse em jogo, a verdade é a primeira que é relegada ao canto e o que vale é justificar, através de malabarismos verbais e inverdades pseudo-científicas (ainda que produzidas por “sumidades” na area) o injustificável.
Caro doutor, sei que, assim como eu, o senhor pronunciou o juramento de Hipócrates que transcrevo aqui, grifando o que este grande médico grego dizia sobre substâncias abortivas:
“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”
Diante disto, por mais que tenhamos que NADAR CONTRA A MARÉ avassaladora dos interesses que estão por trás de todo o movimento pró-abortista, é dever, meu e do senhor, defendermos a vida e não tolerar que a mentira e a falácia nos enganem no exercício profissional e na responsabilidade que temos frente aos nossos clientes/pacientes.
Estou aberta a respostas e maiores aprofundamentos na discussão. Caso o senhor se convença pelo que eu disse, acredito que seria de grande importância desfazer o mal-entendido que a matéria pode ter causado.
Um abraço e tudo de bom,
Marina
Por Marina S Santos em nov 24, 2009