Personalidades
- dezembro 7, 2009
Dr. César Augusto Conforti

Milhares de vidas salvas na carrei-ra e considerado um dos melhores profissionais do País. Esse é César Augusto Conforti, cirurgião cardiovascular, que trabalha na Santa Casa de Santos.
Em entrevista ao JV, Dr. Conforti fala sobre sua difícil infância, que foi marcada pela perda do pai, a vinda para Santos com sua mãe e irmãos, bem como o sonho realizado de ser médico, objetivo que tinha desde criança.
Conforti fala, ainda, sobre a saúde cardíaca da população brasileira e a estrutura dos hospitais nacionais. A seguir, confira a entrevista na íntegra:
JV - Onde você nasceu e quais as principais lembranças de infância?
Conforti - Nasci nas Laranjeiras, no Rio de Janeiro, mas tenho o título de cidadão santista. Vim para São Paulo com três anos de idade, devido ao trabalho do meu pai, que era bancário, onde até chegou a cargo de diretor de banco. Infelizmente, quando eu tinha seis anos de idade, meu pai faleceu, com apenas 33 anos. Nessa época do seu falecimento, morávamos em Campinas e acabamos nos mudando para Santos, uma vez que meus avós eram daqui. Praticamente, toda minha infância foi aqui na Baixada. Eu tive muitos amigos e jogávamos bola todo final de semana na praia. Eu gostava muito de futebol, mas era ruim (risos). Eu fui bom no vôleibol, onde me envolvi mais em treinamentos, passando por diversos clubes. Mesmo assim, sempre fui apaixonado por futebol e pelo Santos FC.
JV - Onde você estudou e como você era como aluno?
Conforti - Me formei no Colégio Canadá. Eu bagunçava muito, mas fazia as atividades quando precisava. O diretor da escola pedia a presença da minha mãe porque eu aprontava e até brincava falando que daria cargo a ela, pois minha mãe vivia indo à escola. De qualquer forma, eram brincadeiras saudáveis, coisas de moleque mesmo. No Canadá, a parte esportiva era muito forte também. Atualmente, não vejo trabalhos como esses nas escolas. Participei de Olimpíadas esportivas por um colégio público, aliás. Nós concorríamos com diversos colégios, particulares também. As competições eram realizada no clube Internacional. Foi uma época gostosa, uma saudosa lembrança.
JV - Desde pequeno já tinha o desejo de cursar medicina?
Conforti - Sim, desde pequeno. E eu nunca tive influência familiar, pois não tinha nenhum parente que trabalhava na área. Quis ser médico por escolha própria, porque essa fato de poder salvar vidas sempre me interessou. Toda minha formação já foi orientada para a área de Medicina. Na época de escola, no período de colegial, que era chamado de científico, eu já cursava matérias direcionadas para medicina. Quando ainda estava no terceiro colegial, fiz cursinho no Colégio Roosevelt, em São Paulo. Após terminar o colégio e o cursinho, fui cursar a faculdade de medicina, no Lusíadas. Fui aluno da segunda turma da faculdade.
JV - Como foi início das aulas na faculdade de medicina?
Conforti - Felizmente, comecei a frequentar a Santa Casa já no segundo ano de faculdade. Isso me ajudou bastante. Eu ficava no local dedicado às cirurgias de torax e acompanhava todo processo. Durante a faculdade, não me recordo de dificuldades; a única dificuldade era financeira, uma vez que é um curso caro. E para ajudar minha mãe na renda familiar, eu dava aula em cursinhos sobre diversas disciplinas, afinal, eu precisava comprar algumas coisas para mim. Depois de formado, fiquei um ano fazendo cirurgia geral na Santa Casa e, depois, fui para São Paulo, onde fiz minha residência no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Em 1977 em diante, trabalhei no Hospital do Coração.
JV - E o interesse de atuar como cirurgião cardíaco, como surgiu?
Conforti - Antes de entrar na faculdade, eu já tinha visto um transplante de coração. Aquilo me chamou a atenção. Como estudei piano, eu tinha habilidade com as mãos, o que facilitaria meu trabalho de cirurgião também. Quando comecei a realizar meus estudos, comecei a orientá-los para área direcionadas ao coração. E a formação do cirurgião cardiovascular é muito ampla, uma vez que mexemos com hematologia, fisiologia, além de anatomia cardíaca. O que me influenciou bastante para ser cirurgião cardíaco foi durante meu terceiro ano de faculdade, quando frequentava o pós-operatório no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. E o curioso é que o pós-operatório mudou muito de uns anos para cá. Antigamente, não existia UTI, por exemplo, pois eram quartos onde os médicos ficavam cuidando dos paciente, dando até banho em alguns casos. Graças a Deus, esse panorama mudou, porque antigamente era muito mais desgastante para o médico. De qualquer forma, essa época foi muito bacana, pois me ajudou a crescer muito profissionalmente. O período que estive com o médico e professor Adib Jatene foi extremamente significativo, que me deu um conhecimento geral muito amplo de diversas coisas.
JV - Lembra da sua primeira cirurgia? Você estava muito nervoso?
Conforti - Eu tive a oportunidade de realizar pequenas cirurgias no começo da minha carreira de médico. A primeira cirurgia que fiz foi uma emergência de um sujeito que tinha sofrido várias facadas. Eu era auxiliar do Dr. José Luiz Camargo Barbosa e, durante o processo cirúrgico, ele perguntou se eu queria fazer alguns pontos no paciente. Pensei: Opa, agora é a oportunidade de mostrar o meu trabalho. Enfim, depois dos pontos, até o anestesista teve que colocar luvas para finalizar os pontos, pois meus pontos eram tão caprichados que demoravam muito (risos). Tudo é uma evolução e, com o tempo, vamos adquirindo uma velocidade maior e mais técnica também.
JV - Dentre todas as cirurgias que você fez, existiu alguma desafiadora?
Conforti - Já fiz várias. A cirurgia, por si só, já é um desafio. E se você não seguir protocolos de segurança, a cirurgia pode se tornar ainda mais desafiadora. Por isso, tenho muita atenção e sigo à risca minhas normas de segurança. Lembro da cirurgia de um jovem que tinha apenas 25% de função cardíaca e uma situação clínica muito grave. Após fazer a revascularização, a resposta foi tão boa, que ganhei meu dia, fiquei contente. Um resultado como esse é gratificante e vem antes da parte financeira, sem dúvida alguma. É algo que vai para o âmbito profissional e me deixa realizado. Outro caso curioso e que me marcou foi a visita de um menino que veio ao hospital e perguntou se eu o conhecia. Não me recordava do seu rosto. Ele conversou comigo e contou que eu havia feito a cirurgia, salvando sua vida. Enfim, muitos anos depois, ver um jovem saudável após correr risco de morte é especial.
JV - Qual sua avaliação da saúde cardíaca do brasileiro? A população tem consciência que uma alimentação correta pode prevenir diversos problemas cardíacos?
Conforti - Primeiramente, nosso país precisa de Educação, em diversos aspectos. O cidadão precisa verificar regularmente sua pressão arterial, por exemplo. Conheço jovens que já possuem alto nível de colesterol e desconhecem, tanto por problemas de má alimentação como de metabolismo. E se não cuidam, chegam aos 40 anos com grandes riscos de infarto. A população deve ter mais cuidado com sua saúde. Atitudes simples, como uma simples caminhada ou alongamento, já geram diversos benefícios. Recentemente, estive em um congresso em Viena, na Áustria, onde discutimos tratamentos cirúrgicos para pacientes acima de 85 anos de idade. Ou seja, existem perpectivas que daqui 20 anos muitas pessoas chegarão tranquilamente aos 100 anos de idade. Se você tem essa perspectiva, você precisa se adequar a isso, ter condições físicas. As condições básicas de saúde já fazem diferença na qualidade de vida da população. Um saneamento básico, por exemplo, você já consegue reduzir cerca de 50% da mortalidade infantil. Reduzindo o índice de doenças, você favorece um crescimento físico e intelectual melhor, dando mais qualidade de vida no futuro.
JV - Qual a dica que você dá aos pacientes para evitar problemas cardíacos?
Conforti- Inicialmente, tomar cuidado com colesterol, pressão arterial e diabetes. Controlando esses três fatores, você controla praticamente tudo e terá uma vida saudável. Além disso, a saúde mental é de extrema importância. A depressão é um mal moderno e que todos devem tomar cuidado com isso, pois ela influencia diretamente no rendimento da saúde.
JV - Como você avalia as estruturas dos hospitais brasileiros?
Conforti - Qualquer instituição que lida com a saúde no País, precisa de melhorias. Sempre queremos dar o melhor atendimento possível aos pacientes, mas a medicina evolui muito rápido e sempre precisa de investimentos. Há hospitais que contam com recursos de sociedades, é claro, como o Albert Einstein e Sírio Libânes. Já aqui na Santa Casa de Santos, por exemplo, não contamos com nenhum apoio e, mesmo assim, conseguimos dar uma boa assistência a todos.





8 Comentários para “Dr. César Augusto Conforti”
fico feliz em saber que podemos contar com proficional como dr. conforti pois sou cardiaco estou preste a fazer uma cirurgia agora posso ficar tranquilo pois posso contar com pessoas como o dr conforti
Por sonivaldo em jan 26, 2010
DR CESAR AUGUSTO CONFORTI, FOI HUMILDE AO FALAR EM DAR UMA BOA ASSSISTÊNCIA, QUANDO NA REALIDADE TEMOS UM CIRURGIÃO DE PRIMEIRO MUNDO,APAIXONADO PELA VIDA E POR SUA PROFISSÃO.UM RARO EXEMPLO A SER SEGUIDO, PELAS NOVAS GERAÇÕES DE MÉDICOS.
Por MARLENE SCALFO em fev 16, 2010
Fiquei impressionada com a humildade deste Dr. César Augusto Conforti. Um Homem que sempre soube a que veio e a cada dia procura melhorar a qualidade dos seus serviços à população. Parabéns!!!!!!
Por HELOISA HELENA PINHEIRO FALCÃO em mar 24, 2010
O dr Conforti para mim ainda é um desconhecido , alias vim aqui nessa reportagem buscar alguma informação de que é esse homem.Quem é esse homem eu conheci um pouco , com alguns cometarios e conhecendo sua historia de vida. O que esse homem vai fazer, acredito que nos proximos dois dias sera operar meu pai, que ao entrar na santa Casa para exames de rotina(assim esperavamos) deparou com alguns probleminhas. Lendo essa reportagem confesso que fiquei um pouco mais tranquilo, tranquilo por meu pai estara em suas mãos de dois grande homens um especial , DEUS e outra na do Sr. Que Deus ilumine seu caminho e lhe guie. Um grande abraço
Por Alex matiazzo em mar 29, 2010
Caro primo César:
Creio que somos primos, não? Meus bisnonni chamavam-se Giuseppe Conforti e Benedetta Boccardi. Meu nonno Amadeo. Creio que o seu nonno era o Zio Luigi. Se estou certo fale com a Luciana Conforti Assad, que deve ser sua sobrinha. Ou vc. é de uma geração mais nova?
Abração,
Marcos Conforti
Por Dr. Marcos Conforti em nov 7, 2010
Aí primão, gostei da entrevista.Mas você esqueceu de mim, devia falar da bomba que larguei na sua mão como residente do Dante.
Dá um abraço e um beijo na tia Célia e Marquinho. Use o e-mail para se comunicar comigo. Um abraço do primo Joni
Por João Eneas Conforti em dez 6, 2010
Dr. Conforti é o cara!!!! Um ótimo profissional, muito bem preparado e qualificado.
Por Fabiano em mai 9, 2011
Fico feliz,pois sou enfermeira e tive a oportunidade de trabalhar com esse medico brilhante no inicio de minha carreira na UTI CARDIACA na Santa Casade Santos.
Por maria da Conceição Oliveira em jul 9, 2011