Personalidades
- janeiro 21, 2010
Monsenhor Jonas Abib

No aniversário de 478 anos de São Vicentino, o JV traz uma entrevista especial com o monsenhor Jonas Abib. Fundador da Comunidade Canção Nova, conta sobre a infância, a decisão de se tornar padre, o conhecimento da Renovação Carismática e seus sonhos e objetivos. Confira:
JV - Onde o senhor nasceu e quais as principais lembranças de infância?
Jonas Abib - Nasci na cidade de Elias Fausto, interior de São Paulo. Tive uma infância muito feliz, apesar da pobreza em que vivíamos. Fui uma criança muito esperta, alegre e brincalhona. Para se ter uma idéia, meu brinquedo preferido era o carrinho de rolimã. E, já naquela época, brincava de celebrar missa e falava que queria ser padre.
JV - Em que momento decidiu pelo caminho do sacerdócio? Como foi a aceitação de sua família?
Jonas Abib - Aos doze anos de idade segui com meu pai, Sérgio Abib, para a pequena cidade de Lavrinhas (SP) onde eu estudaria no Colégio São Manoel. Assim, dei início à realização do meu grande sonho: servir a Deus como sacerdote. Minha família via com muito gosto a minha vocação apesar das saudades de casa.
JV - Teve algum momento nessa caminhada em que o senhor pensou em desistir ou o período de preparação fortaleceu ainda mais sua vontade?
Jonas Abib - Não vou negar que foram muitas as lutas e as batalhas enfrentadas durante toda a minha vida. Mas, em nenhum momento, pensei em desistir ou em desanimar. Tinha a convicção plena de que Deus esteve, está e estará sempre no comando de todas as situações em minha vida. Um exemplo disso foi quando eu terminei a primeira etapa dos meus estudos de Filosofia. Da mesma forma que um engenheiro faz uma análise de quando vai construir uma casa, peguei uma folha de papel e rabisquei perguntas e respostas do tipo: “E se eu fosse professor? E se eu me casasse e fosse pai? Eu gosto tanto de crianças…” Li e reli aquelas anotações, mas finalmente decidi que não era nada disso. Eu queria mesmo era ser padre! Amassei esse papel, mirei a lata de lixo e adivinha? Foi a melhor cesta que fiz em minha vida.
JV - Qual a emoção da sua ordenação e como foi a sua primeira missa?
Jonas Abib - Todo o aprendizado que veio das aulas, dos livros, os sinais de Deus vivenciados ao longo dos períodos, tudo havia sido uma preparação, um “ensaio”. Mas, finalmente chegou o dia da entrega total a Deus. Ordenei-me no dia 8 de dezembro de 1964, dia da Imaculada Conceição, no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora. Dois dias depois, presidi minha primeira missa, na Igreja Santo Antônio (Bairro do Limão), na capital paulista. A partir daí, tornei-me um jovem absolutamente entregue à minha nova missão.
JV - Em que momento conheceu a Renovação Carismática? O que ela representou para o senhor?
Jonas Abib - A RCC foi uma grande graça na minha vida. Eu estava em momento de grande crise existencial, mas Deus veio ao meu socorro e me deu a graça a partir do que a Bíblia chama de “ser batizado no Espírito Santo”. Naquele dia, 2 de novembro de 1971, minha vida se renovou. Eu experimentei a graça de ser batizado no Espírito Santo e por isso quero ser um “Mister Pentecostes”. Havia um grande carismático da África do Sul, que já faleceu, conhecido pelo apelido de “Mister Pentecostes”. Onde ele estava, falava do batismo no Espírito Santo. Poderia ser na sua cidade como no Vaticano, entre os cardeais, e quando teve uma audiência pessoal com o Papa falou sobre isso também. Quero ser um Mister Pentecostes como ele era porque o mundo precisa da graça do Espírito Santo para se tornar um lugar bom novamente.
JV - Como aconteceu a fundação da Canção Nova? Imaginava que ela chegaria no tamanho que é hoje?
Jonas Abib -Durante os anos de 1976 e 1977, organizávamos cursos de catequese para jovens. Foi a partir dessa experiência que Dom Antônio Afonso de Miranda, na época bispo de Lorena, confiou-me a missão de colocar em prática a Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi”, do Papa Paulo VI, sobre a Evangelização no Mundo Contemporâneo. Ele me disse: “É hora de evangelizar porque os batizados não são evangelizados. Como você trabalha com jovens, comece com eles. Faça alguma coisa!”, disse.
Passado um tempo, senti a necessidade de lançar um desafio à juventude para deixar família, casa e estudos e se dedicar somente a Deus. Assim começamos nossa comunidade em 1978, com 12 jovens. Uma verdadeira aventura de fé que continua sendo construída, todos os dias, por mais de mil membros: sacerdotes, seminaristas, leigos, celibatários, casados, homens, mulheres, pais, mães e filhos de diferentes idades, profissões, origens e nacionalidades.
JV - Como foi o encontro com o papa João Paulo II?
Jonas Abib - Em 2002, o encontro com o Papa João Paulo II representou a confirmação da missão na Canção Nova, que comemorava naquele ano 25 anos de fundação.
JV - A música sempre esteve presente na sua vida? Como faz para compor as músicas e qual a emoção na gravação do seu primeiro DVD?
Jonas Abib - Eu comecei no seminário no dia 22 de novembro de 1949, Dia do Músico. Eu pedi a Deus que se a música fosse útil ao meu sacerdócio que Ele me ajudasse a aprender música. Imediatamente os meus superiores do seminário me colocaram no Coral, depois fui aprender piano. Era a resposta de Deus. Os anos se passaram e nasceu a Canção Nova. O cantar se tornou simplesmente uma forma de servir à Palavra, ou seja, afirmamos que nossa música existe em função da Palavra de Deus. Minhas músicas são frutos de uma experiência com Deus Vivo para depois servir e cantar. Todas as nossas obras fonográficas e todas as nossas iniciativas como shows, encontros, louvores, congressos são formas de servir a Deus.
Posso dizer quanto ao DVD que gravei com meus filhos espirituais, membros da Canção Nova, que ninguém vai longe sem ter um mestre. Esse DVD demonstra que formei bons filhos e que estamos fazendo o melhor para Deus. As músicas traduzem a história da Canção Nova. Proclamá-las e conclamá-las foi a melhor maneira para festejar os 30 anos da comunidade. O resultado foi Deus agir maravilhosamente. Quem tiver acesso a esse trabalho verá Deus agindo maravilhosamente. O DVD é mais que músicas. Ele transporta nossa alma para o sobrenatural.
JV - O que representou para o senhor o recebimento do título de monsenhor?
Jonas Abib -Não o Padre Jonas, simplesmente, mas a Canção Nova está recebendo esse reconhecimento. E é especialmente um reconhecimento para o projeto Dai-me Almas, tanto que o título foi concedido no dia 17 de outubro de 2007, data em que comemoramos 10 anos do projeto. Ele é também um reconhecimento para essa multidão de pessoas que construíram a Canção Nova e todos os dias trabalham por ela. E por conta de tão grande confiança do Papa, daqui para a frente o projeto Dai-me Almas passa a ser o objetivo da nossa vida: trazer almas para Jesus. Ele não quer perder nenhum dos seus filhos, mas precisa de nós para isso. A data de 17 de outubro de 2007 passou a marcar uma nova responsabilidade para nós da Canção Nova com todo o povo que precisa da salvação, que só Jesus é capaz de nos trazer.
JV - O senhor recebeu o título de Cidadão Vicentino. Como é ser querido e homenageado por todos os lugares onde passa?
Jonas Abib - Vejo como um doce e gentil presente de Deus. Vocês são muito generosos. Eu respondi ao chamado do Senhor para trabalhar em Sua obra, mas não teria feito nada sozinho. Foi Deus quem tocou o coração dos jovens e de todos que decidiram segui-lo através da Canção Nova. É essa atmosfera da presença de Deus que testemunhamos, todos os dias, que as pessoas sentem, e isso traz tanta alegria que elas decidem homenagear a própria obra do Divino através de mim, que sou apenas o servo de Deus.
JV - Quais são seus próximos objetivos e sonhos?
Jonas Abib - Que a Canção Nova nunca deixe ser aquilo para o qual Deus a criou: uma comunidade de amor e adoração para formar homens novos para um mundo novo. Que toda a família Canção Nova seja unida neste ideal que é o ideal do Evangelho.
JV - Por favor, mande uma mensagem para a população vicentina, que comemora os 478 anos de fundação da Primeira Cidade do Brasil.
Jonas Abib - Quando estive em São Vicente, em abril do ano passado, para receber o título de cidadão vicentino, eu exortei os 10 mil fieis que assistiram à missa a acreditar incondicionalmente no amor de Deus e a confiar que o Senhor tem o controle sobre todas as coisas. São Vicente foi a primeira cidade a ser fundada no Brasil, a primeira a receber uma missão jesuíta, e por isso mesmo deve ser testemunha do amor e do poder de Deus. Mas isso só é possível se cada cidadão vicentino colocar em sua vida cotidiana a Palavra de Deus.





1 Comentário para “Monsenhor Jonas Abib”
São Vicente é uma cidade linda,abençoada e muito me alegra o título ao Monsenhor Jonas Abib de cidadão vicentino,pois,este é um agraciado de Deus entre nós.
Parabéns, pela iniciativa!
Por Adriana MAciel em jan 23, 2010