Graziela Frayha

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Santista de nascimento, mas vicen-tina de coração, a médica pediatra Graziela Frayha sempre teve o sonho de ser médica.
Moradora do Centro de São Vicente, estudou nos colégios Ateneu Santista e Martim Afonso. Sempre aplicada às aulas, “tia Grazi”, como é chamada pelas crianças em seu consultório, se esforçou para alcançar seu objetivo.
Em entrevista ao JV, a médica conta que passava noite em claro estudando, sempre dando prioridade ao saber, fator que contribuiu para se tornar uma referência no setor de pediatria da Cidade.
Preocupada com o bem-estar das crianças da Região, a médica avalia como preocupante a estrutura dos hospitais da Baixada, bem como alerta para os perigos envoltos aos casos de dengue que assombram a Região em 2010.
Mãe de três filhos, Graziela viu sua filha se tornar pediatra, seguindo assim os passos da mãe, fato que lhe enche de orgulho. A seguir, confira a entrevista na íntegra:
Jornal Vicentino - Onde você nasceu e quais as principais lembranças da sua infância?
Graziela
- Nasci em Santos, mas morei e me criei em São Vicente, na rua Visconde do Rio Branco, no Centro. Lembro da Avenida Presidente Wilson sem movimento algum, totalmente arborizada, com cavalos passeando pela avenida. Brinquei muito na rua e na Praia do Gonzaguinha, que na minha época não era poluída. Frequentei a Chopperia Gáudio, em frente à praia, que era o ponto de encontro de boa parte dos jovens da Região, inclusive. Tive uma infância muito boa e saudável.
JV - Onde você estudou? E como era seu desempenho na escola?
Graziela
- Estudei no Colégio Ateneu São Vicente, onde boa parte da população da Cidade já passou. Depois, me mudei para o Liceu Santista, em Santos, e terminei meus estudos no Martim Afonso, novamente em São Vicente. Sempre fui uma aluna quieta e dedicada, me dedicando muito mais aos livros. Nunca frequentei muitas festas na juventudade, pois lembro que meus pais me falavam que o saber era a coisa mais importante da vida.
JV - Desde pequena já tinha o sonho de ser médica?
Graziela
- Sempre sonhei em ser médica, porque o lado humanitário sempre caminhou comigo. E batalhei muito por isso, passando noites em claro para estudar. O Colégio Martim Afonso era o melhor da Região ao lado do Canadá, que ficava em Santos. No colegial, poucos alunos acabavam concluindo seus estudos. Muitos desistiam no meio do caminho devido à dificuldade de aprendizado. Ao encerrar o Ensino Médio, prestei vestibular para Medicina no Lusíadas, onde me formei na terceira turma da universidade. Em seguida, fiz residencial na Santa Casa de Santos, mas também trabalhava. Prestei concursos para trabalhar pelo INSS e na Prefeitura, sendo aprovada em ambos. Quando nasceu meu filho caçula, abri meu consultório. Foi uma realização, pois diversas crianças foram atendidas por mim, e sei que pude ajudar muitos pais.
JV - E como surgiu o interesse pela área de pediatria?
Graziela
- Desde jovem, sempre gostei de criança e, quando pensava em ser médica, já tinha o desejo de trabalhar como pediatra. Cursei a faculdade e me dediquei aos estudos voltados para a área de pediatria.
JV - Atualmente, os pais estão atentos com a saúde de seus filhos?
Graziela
- Os pais passaram a ter maiores informações sobre a saúde de seus filhos, do básico ao supérfluo. Higiene, cuidados primários à saúde da criança, investimento no alimento materno, enfim, um conhecimento amplo, que melhorou o “cuidar da criança” nas últimas décadas. Em contrapartida, devido à correria do cotidiano, boa parte das mães trabalham fora e não tem o comprometimento de fazer a comida de seus filhos. Elas recorrem aos alimentos industrializados, o que vem gerando índices significativos de obesidade infantil. Antigamente, não havia salgados em pacote como hoje em dia; era carne, frango, peixe e alimentos de feira comprados pelos pais. As famílias de classe média sofrem com esse cenário. No entanto, famílias de baixa renda, deixam seus filhos em creches, fator que já contribui com a alimentação. Lá, as crianças recebem refeições balanceadas. Mas voltando ao excesso de informações, existe o lado prejudicial da coisa. Com o advento da internet, os pais já chegam ao consultório com o diagnótisco pronto, afirmando o que seu filho tem e como deve ser tratado. Enfim, as informações ajudam os pais, mas deve haver bom senso no uso desses dados.
JV - Quais os cuidados básicos que os pais devem ter?
Graziela
- Um pré-natal muito bem feito, bem como o aleitamento materno são essenciais. Outros pontos importantes são os cuidados com a higiene da criança e as vacinas que elas devem tomar ao longo da infância. A procura de um médico no primeiro ano de vida criança também é essencial, pois é nesse período que é formada a estrutura física, motora e neurológica. Todos esse fatores são investimentos na qualidade de vida da criança.
JV - E os casos de dengue na Região, preocupam os pediatras?
Graziela
- Esse é o ponto mais vulnerável da pediatria atualmente. Qualquer pronto socorro, do público ao particular, estão abarrotados. Ontem, estive numa reunião com médicos para elaborar um regime de guerra, pois os hospitais não estão dando mais conta com tantos casos de dengue. A realidade que está ocorrendo com a Saúde da Região não está postada em números na Secretaria da Saúde. Os relatórios de Notificação da Dengue eu recebi há poucos dias, mas já diagnostiquei mais de 10 casos antes da papelada chegar. E o mais preocupante é que, diferentemente de outras épocas, a dengue está matando as crianças. Infelizmente, os pequenos estão evoluindo para a classe hemorrágica, dando entrada por diversas vezes na UTI. Nessa semana mesmo, atendi uma criança que foi encaminhada para a UTI, pois sentia dores abdominais intensas e febre. A situação é preocupante e estamos aguardando as ações das autoridades. O que eles vão fazer? Vão esperar notificarmos todos os casos para falarem que a situação é de calamidade pública? Em 35 anos de profissão, essa é, sem dúvida alguma, a pior situação de dengue que já enfrentei como pediatra. Infelizmente, muitos casos infantis estão evoluindo para óbito. Já passou da hora de tomarem alguma atitude.
JV - Como você avalia a estrutura dos hospitais da Baixada Santista?
Graziela
- Se falarmos sobre o nível SUS (Sistema Único de Saúde), ele é péssimo. Pacientes de diversas cidades são deslocados para Santos, pois não há número de leitos suficientes para todos. Quando a Prefeitura de Santos fala que está sobrecarregada, isso é pura verdade. São Vicente, por exemplo, existe apenas leitos no Crei e no São José, que também não são muitos. Uma doença que atinge a população de uma forma de geral acaba mostrando a realidade da Saúde no Brasil.
JV - O cotidiano de um médico é atribulado. Como é sua rotina?
Graziela
- Eu levanto muito cedo, por volta de 5h30. Às 6h30, faço visita no Hospital Infantil do Gonzaga e, às 8h, veio para meu consultório. Engulo a comida entre 13h30 e 14h (risos) e retorno ao consultório. Saio daqui às 20h e faço mais uma visita ao Hospital Infantil, chegando em casa por volta de 21h, 21h30. Aos sábados, ainda faço plantão pela Unimed, das 7h às 13h.
JV - Sua filha também está cursando medicina. A escolha dela foi influência materna?
Graziela
- Creio que influenciei (risos). Ela também é médica pediatra, formada na USP, onde também está fazendo mestrado. Tenho três filhos, sendo dois formados em Administração, e ela em Medicina. Desde pequena, minha filha sempre foi minha companheira. Quando eu fazia visitas, os meninos não aguentavam de tédio e não viam a hora de ir embora. Já ela pedia para me acompanhar e isso era muito bacana. Minha filha entrava comigo nos leitos, ficava quieta e observava atentamente os doentes. De fato, o desejo de ser médica também já estava no sangue dela. Um fato curioso é que nós fizemos a pós-graduação juntas, o que é muito bacana, pois trocamos muitas informações. Vamos junto a congressos, conversamos sobre nossos casos, enfim, é um orgulho ter uma filha como ela.
JV - Na próxima segunda-feira será comemorado o Dia Internacional da Mulher. Na sua opinião de médica e mãe, o que há para se comemorar nesta data?
Graziela
- A mulher deu um salto muito alto em termos de vida profissional. E ela ainda é um baluarte dentro do lar. Independentemente do crescer profissionalmente, a mulher nunca pode esquecer do lado mulher e família. Entretanto, ela também ficou sobrecarregada, pois além de trabalhar, a mulher tem que cuidar dos filhos e da casa. De qualquer forma há muito para se comemorar nessa data, pois a mulher conquistou seu espaço na sociedade.

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  1. 1 Comentário para “Graziela Frayha”

  2. Dr Graziela salvou diversas vezes minha vida quando criança! Essa mulher vale ouro!

    Por Michelle em set 1, 2011

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