Editorial
- abril 12, 2010
Fortalecimento latino-americano
Em defesa da segurança da economia dos países em desenvolvimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou hoje (9) ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, para que as parcerias na América Latina se consolidem cada vez mais como garantia dos eventuais prejuízos causados pelo protecionismo. Segundo Lula, o que interessa não é ser uma ilha de prosperidade, mas uma sociedade latino-americana democrática e socialmente justa.
Lula e Piñera firmaram acordos para ampliação do comércio bilateral. Só no primeiro trimestre deste ano, o comércio entre os dois países ultrapassou US$ 1 bilhão. Em 2009, o intercâmbio comercial entre Brasil e Chile atingiu US$ 5,3 bilhões. Para Lula, os números podem aumentar ainda mais. Outra ideia sugerida por Lula é que as transações comerciais entre os dois países sejam feitas em moeda local, como ocorre na Argentina.
Os dois presidentes também assinaram um memorando de entendimento para troca de experiências na área de esportes, por meio do qual o Brasil vai exportar a capacitação de profissionais e equipamentos. Atleta, Piñera se disse preocupado com o elevado percentual de sedentários no Chile.
Piñera é o primeiro presidente da República de centro-direita eleito no país, depois de 20 anos da esquerda no poder. O Chile foi alvo de uma das ditaduras mais violentas da América Latina, sob controle do general Augusto Pinochet - de 1973 a 1990.
Um dos empresários mais bem-sucedidos do país, com patrimônio estimado em mais de US$ 1 bilhão, Piñera é sócio majoritário da empresa aérea internacional Lan Chile, dono da rede de televisão Chile Visión e do time de futebol Colo-Colo, um dos principais clubes do país, ao lado do Universidad Católica e do Universidad de Chile.
Piñera, que desembarcou ontem (8) na capital paulista, pediu apoio à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para a reconstrução do Chile. Desde o dia 27 de fevereiro, o país sofre com frequentes tremores de terra. O mais grave atingiu 8,8 na escala Richter, deixando cerca de 500 mortos e 1,3 milhão de desabrigados.
O acordo entre os dois países não reforçará apenas ambas nações, mas sobretudo o continente. Em tempos de campanhas eleitorais, o presidente já prepara terreno para seu sucessor - ou sucessora (Dilma Rousseff), como deseja Lula.





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