Editorial
- maio 6, 2010
Reforço econômico
O pacote de reaparelhamento militar e transferência tecnológica da Marinha, assinado entre o Brasil e a França, soma 6,7 bilhões de euros. Envolve a construção de quatro submarinos convencionais Scorpene e um nuclear, uma base, um estaleiro, uma unidade de estruturas metálicas, equipamentos e armamentos, incluindo torpedos e mísseis.
Mas o dinheiro não é apenas uma forma de garantir soberania militar ao Brasil, principalmente para proteger as imensas reservas de petróleo do pré-sal. O investimento terá impacto em centenas de empresas nacionais, com o avanço tecnológico.
O ciclo do combustível nuclear, por exemplo, traz uma tecnologia que depende de muitas fábricas fornecerem certos materiais que elas não sabem ainda como são e estão aprendendo a fazer.Uma fábrica de São Paulo se dispôs a investir em uma linha de produção específica, desenvolvendo tecnologia própria.
A produção dos submarinos brasileiros vai representar um importante impulso de trabalho na cadeia produtiva. Vai gerar cerca de 5 mil empregos diretos e 20 mil indiretos. As fábricas começarão a produzir não só para o Brasil, mas para exportação. O reator [nuclear] poderá ser utilizado por cidades pequenas para gerar energia elétrica para até 50 mil habitantes.
Enfim, o “pacote militar” chega em boa hora, sobretudo para fortalecer a economia nacional. Mais uma vez, o governo brasileiro dá sinais de reformulação e, principalmente, maturidade.





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