Dr. Eduardo Paulino

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Uma das referências em oftalmologia no país, Dr. Eduardo Paulino é professor de faculdade de Medicina do ABC, membro do Conselho Brasileiro e da Academia Americana de Oftalmologia.
Ainda jovem, a paixão pelo surfe e pela música norteava sua adolescência. Embora o pai exercendo a profissão de médico, Paulino seguiu a carreira de oftalmologista por escolha própria.
Sempre atento à evolução tecnológica e habilidoso com as mãos devido às aulas de piano, Paulino uniu os dois interesses para se especializar em oftalmologia. A partir daí, as teclas de piano deram lugar a bisturis e aparelhos a laser de última geração.
Com quase 30 anos de profissão, Paulino implantou o “Instituto de Olhos”, consultório especializado que atende centenas de pacientes diariamente em Santos e Vicente de Carvalho. Além disso, o médico também é responsável pelo programa “Visão Médica”, na TV Santa Cecília, onde dá dicas de saúde aos telespectadores.
A seguir, confira a história de vida do Dr. Eduardo Paulino:
Jornal Vicentino - Onde você nasceu e quais as principais lembranças da sua infância?
Eduardo Paulino
- Nasci em Santos. Sou da época em que o momento da infância era muito mais tradicional. A religiosidade era um fator mais importante e, ao mesmo tempo, o esporte era mais presente também. Fui criado de uma forma muito rígida, inclusive. As principais lembranças dessa época se remetem ao surfe, onde fui um dos precursores no Brasil, pois comecei a prática ainda muito novo. Morava no canal 3, em frente à praia e, nessa época, a prancha era de madeirite e sem cordinha, o que te obrigava a ser bom nadador. Eu praticava natação no Clube Internacional, o que me ajudava bastante no mar. Junto a essa vida de surfista, a música também teve muita influência na minha infância. Minha mãe é violinista e acabei sendo motivado a tocar piano, instrumento que executo ainda hoje e tenho até CD gravado. Enfim, juntei as estruturas educacional e esportiva durante toda minha infância.
JV - Onde você estudou? E como era seu desempenho na escola?
Eduardo
- Estudei no Colégio Santista até o final da 4ª série. Já o período do ginásio, cursei no Colégio Canadá. Sempre fui bom aluno, fiz poucos exames e, curiosamente, ganhei medalhas de excelência, que era um formato do Colégio Santista. Nunca me interessei pela turma da bagunça.
Jornal Vicentino - Antes de se tornar oftalmologista, exerceu outras profissões?
Eduardo -
Não. Meu pai foi médico e um dos fundadores da Medicina do Trabalho, conhecida como Saúde Ocupacional, além de ter sido um dos fundadores da Unimed em Santos, local de origem da empresa. Mas, sinceramente, não houve indução para ser médico, pois meus dois outros irmãos mais velhos seguiram para outras áreas, que são Música e Engenharia. Cursei Medicina em Santos e, depois, atuei na cidade de Santo André.
Jornal Vicentino - E o interesse para atuar na área de oftalmologia?
Eduardo
- O interesse aconteceu por que sempre gostei de tecnologia e, devido a tocar piano, sempre tive um bom manuseio das mãos. Esses fatores me levaram a procurar uma especialidade. A oftalmologia é uma atividade limpa, de alta precisão e em que a tecnologia mais evolui. Eu, por exemplo, vivenciei todo o processo evolutivo da oftalmologia. Antigamente, há cerca de 26 anos, as operações eram feitas com gilete de barba, devido à precisão do material. Hoje operamos com laser de 4ª geração e trabalhamos diretamente com a tecnologia.
Jornal Vicentino - Como surgiu a ideia de criar o Instituto de Olhos?
Eduardo
- Comecei a profissão com um sócio, parceria que durou 10 anos. Quando iniciamos a cirurgia refrativa, que trata de problemas como a miopia, encerramos a sociedade. Cada um procurou seu caminho e acabei me tornando uma das referências desse tipo de cirurgia. Viajava com certa frequência à Rússia, pois é um país muito avançado nessa questão de cirurgia moderna. Diferentemente de hoje, com a Internet e tudo na sua mão, a comunicação nessa época era truncada. Depois, evoluímos para os bisturis em diamante, material que era restrito também. Devido a todo trabalho que fui desenvolvendo, resolvi criar o Instituto e convidei outros amigos, que inclusive se formaram comigo, pois também ministro aulas. Sobre o pioneirismo que citei anteriormente, posso definir que éramos jovens com muito estudo na cabeça e vontade de mudar a estrutura existente. Os médicos mais antigos eram resistentes à tecnologia, um grupo mais conservador e que, muitas vezes, nos taxa de loucos. Enfim, fomos à luta.
Jornal Vicentino - O brasileiro, de uma forma geral, sabe cuidar da visão?
Eduardo
- Há falta de conscientização, e isso é um problema cultural. As pessoas procuram apenas a medicina curativa, e não a preventiva. A criança, por exemplo, precisa ir a uma consulta preventiva no início de sua vida, uma vez que doenças crônicas não geram sintomas. As pessoas se acostumam a enxergar mal e só aparecem no consultório com 50 anos de idade. Uma das maiores causas de cegueira no mundo é o glaucoma, doença que sobe a pressão nos olhos, e que não causa sintomas. O paciente acorda e, de repente, perdeu a visão. Hoje em dia, todos tem acesso à saúde, mesmo que com certas dificuldades, elas precisam procurar. Atualmente, cerca de 4% da população mundial acima dos 40 anos possuem glaucoma. Certo dia, trabalhei em um evento no shopping para combate à doença. Fizemos exames em 2.300 pessoas e constatamos que 11% possuíam glaucoma, e muitas delas nem sabiam. Esse número é preocupante e simboliza o descaso de parte da população com sua saúde.
Jornal Vicentino - A catarata pode ser considerada um problema que ainda é desconhecido pelas pessoas?
Eduardo
- A catarata tem uma alta incidência em todo país, mas é uma cegueira reversível, diferentemente do glaucoma. Comparemos o americano com o brasileiro. Ainda jovem, o americano vai morar fora de casa. Já o brasileiro é mais acomodado e, em muitos casos atuais, fica até os 40 anos de idade em casa. Dessa forma, o pai é acobertado e muitas funções são feitas por outros familiares. O americano, por sua vez, é mais independente, precisa dirigir, se locomover e pagar suas contas. Nos EUA, se você não tiver 70% de visão, você não dirige. Voltando ao Brasil, certa vez examinei um comandante de balsa. Ele disse que não conseguia enxergar, às vezes, os nomes de alguns navios. Pois bem, fiz o exame e descobri que ele tinha 6% de visão em um olho, e 30% no outro. E ele ainda me indagava que enxergava bem. Na verdade, ele se acostumou a enxergar mal.
Jornal Vicentino - Como você avalia os programas do governo que fomentam o cuidado com a visão?
Eduardo
- Existe um centro ligado ao Sistema Único de Saúde para cuidar da visão. Milhares de cirurgias de cataratas são feitas por anos, mas vale ressaltar que as pessoas precisam procurar o tratamento. Como falei, há doenças que não geram sintomas. Se o câncer, por exemplo, causasse sintomas, ninguém morreria. A prevenção na saúde é de suma importância para uma boa qualidade de vida.
Jornal Vicentino - Dentre todos os casos diagnosticados por você, qual foi seu maior desafio? Por que?
Eduardo
- A medicina não é uma ciência exata. Às vezes temos casos difíceis e que as respostas dos pacientes são boas. Outros são fáceis, mas acabam se complicando com o passar do tempo. Um caso curioso que marcou minha carreira foi um diagnóstico que fiz em uma criança na minha última consulta do dia. Examinei e, aparentemente, comentei com seu pai que havia um nervo estranho. Pedi que encaminhasse a criança a um neurologista. Um ano depois, o pai voltou ao consultório para me agradecer. Ele disse que haviam descoberto um tumor no cérebro de seu filho, justamente devido ao nervo que encontrei no exame do ano passado. Como foi descoberto precocemente, ele foi operado e curado. Esse caso marcou bastante. Outro caso que marcou bastante foi um rapaz aviador, que queria ser piloto de guerra. Ele queria operar a miopia, para poder desenvolver sua função. Operou, mas um mês após a cirurgia, teve uma perda súbita da visão de um olho. Todos pensariam que isso deveria ser em decorrência da cirurgia, mas foi descoberto uma infecção posteriormente, que nada tinha a ver com a cirurgia. Como a infecção foi detectada com rapidez, ele conseguiu se curar e hoje é um piloto. Inclusive, ganhei dele uma miniatura de avião. Casos como esses nos marcam bastante, é algo muito gratificante.
Jornal Vicentino - E como surgiu o convite para o programa “Visão Médica”, na TV Santa Cecília?
Eduardo
- Eu dou aula há mais de 25 anos e sempre fui acostumado a me direcionar ao público. Por ter facilidade de me comunicar, fui convidado a participar de um programa de rádio, onde dava diversas dicas de saúde. Comecei na Litoral FM e, depois, fui para a Santa Cecília. Em seguida, acabei recebendo o convite para trabalhar na TV. Gravo o programa sem texto decorado, de forma improvisada e, em apenas uma hora, já deixo gravados cerca de 30 programas, com dois minutos e meio cada. Os temas são separados pela necessidade da Região. Hoje, por exemplo, cito referências à nova gripe, stress por causa de jogos do Brasil, enfim, assuntos que estão no cotidiano.
Jornal Vicentino - Quais os cuidados essenciais para ter uma visão saudável?
Eduardo
- Inicialmente, uma consulta preventiva. As pessoas pensam que oftalmologista é receitador de óculos. Na verdade, óculos é só uma das alternativas para o tratamento. Por meio do exame no fundo do olho, conseguimos detectar diversas doenças, como diabetes, hipertensão, entre outras. O olho está ligada ao sistema nervoso e seu exame é essencial. Caso seja saudável, o paciente deve fazer um exame uma vez por um ano. Outro fator importante é evitar trauma ao olho, como exposição excessiva ao sol, uso incorreto de colírios ou não utilizar de viseira ao andar de moto. Resumindo, cultura preventiva é o grande ponto.

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