Editorial
- maio 17, 2010
Santo salário
Os ganhos do salário mínimo observados desde 2004 foram os fatores que mais impactaram para o aumento da renda dos que ganham menos no Brasil. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstrou que as maiores evoluções de renda ocorreram para os trabalhadores com menos qualificação e que, tradicionalmente, têm renda menor, como os trabalhadores do setor agrícola e os que trabalham em serviços domésticos.
Para os agricultores, o ganho foi de 21,15%, entre 2002 e 2008, e para os trabalhadores domésticos, 15,36%, no mesmo período. A renda média do trabalho no Brasil aumentou 7,59%, de 2002 a 2008. O estudo usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise dos dados também demonstrou ganhos acima da média nacional para os grupos de trabalhadores considerados desfavorecidos no mercado de trabalho.
Trabalhadores não brancos obtiveram alta de 17,92% em seus salários. Já os que têm até quatro anos de estudo tiveram ganhos de 12,39%. Os trabalhadores das áreas rurais aumentaram seus ganhos em 28,15% e os nordestinos passaram a ganhar 19,69% a mais.
Ao contrário das classes com menos estudo, os trabalhadores mais qualificados acabaram apresentando uma fraca evolução em seus ganhos. De 2002 a 2008, pessoas com mais de 11 anos de estudo tiveram perdas salariais que chegaram a 12,76%. Considerando o período entre 2004 e 2008, o crescimento foi de apenas 1,67% na média salarial desse grupo.
De fato, o salário mínimo ainda está muito aquém do ideal, com seus R$ 510,00. As despesas continuam a todo vapor, sobretudo com o processo de industrialização, que encarece ainda mais as mercadorias. E as contas, obviamente, também não param de chegar.
É utópico imaginar um mínimo de R$ 1.987,26, valor calculado pelos especialistas, uma vez que até trabalhadores com ensino superior não ganham essa quantia. Entretanto, o governo federal poderia “mexer seus palitos” para, no mínimo, tentar chegar próximo ao dobro do atual.





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