Mesmo com a chuva dos últimos dias, previsão é de inverno seco e frio

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O inverno começou na última segunda-feira com frio e chuva na Região. Na verdade, o frio se antecipou à estação, segundo a Climatempo Meteorologia. Desde o começo de maio, seis massas polares significativas atingiram o centro-sul do Brasil e a sensação de frio perdurou por pelo menos 40 dias.
A mudança de comportamento aconteceu com a frente fria que passou pelo Rio de Janeiro no dia 06 de abril, causando muitos estragos e um volume de chuva muito grande em 24 horas. A partir daí, o padrão de verão, quente e úmido, ficou para trás, e aos poucos a atmosfera foi ficando mais seca a mais fria.
Temperaturas negativas já foram registradas neste ano no Sul. No começo de junho os termômetros chegaram a -1,1°C em General Carneiro, no Paraná, e a -0,5°C em Urubici, em Santa Catarina. A mesma onda de frio que mudou as condições meteorológicas no Sul derrubou a temperatura no Centro-Oeste do Brasil e até provocou geada, ainda que fraca, no sul de Mato Grosso do Sul.
Mas isso é um indício que o próximo Inverno será muito frio? Não necessariamente, segundo a meteorologista da Climatempo, Patricia Madeira. Vários elementos precisam ser analisados. Um fator importante que deve ser levado em consideração é a intensificação do fenômeno La Ninã (o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial), já que em anos de atuação desse fenômeno os invernos costumam ser frios. Entretanto, o La Niña só deve influenciar o Brasil de agosto em diante.
No ano passado o país estava sob o domínio do El Niño, fenômeno oposto ao La Niña. O inverno foi muito frio no Sul. Sudeste e Centro-Oeste também registraram temperaturas baixas. Este ano também se espera por frio, mas com características diferentes. “Se no ano passado enfrentamos um inverno frio e úmido, este ano teremos um inverno frio e seco. Com isso, as grandes cidades podem sofrer bastante com os problemas de poluição, que são particularmente críticos em São Paulo”, afirma Patrícia.
A passagem de frentes frias pela região Sul entre os meses de julho e setembro é comum, mas elas normalmente chegam enfraquecidas ao Sudeste e ao Centro-Oeste. Essas duas regiões registram pouca chuva nos meses de inverno, assim como a maior parte do Nordeste, o Tocantins, o sul do Pará e Rondônia.
A tendência para os próximos meses da Região Sudeste é previsão é de pouca chuva neste inverno, o que é normal, segundo a Climatempo Meteorologia. No ano passado, com a atuação do El Niño, choveu bastante, especialmente no estado de São Paulo. “Esse quadro não se repete e a umidade relativa do ar fica baixa em grande parte da estação, o que favorece as queimadas, especialmente no norte paulista e no cerrado mineiro”, relata Patrícia. Com relação às temperaturas, é preciso lembrar que não é época de calor, apesar de muitos dias ensolarados.
Em julho o frio tende a ser menor que em maio e em junho, com apenas uma massa de ar polar significativa, que pode favorecer apenas a formação de geadas nos pontos muito altos da Serra da Mantiqueira.
Em agosto as condições mudam e a chegada de várias massas polares deixa o mês frio. Em setembro o tempo volta a esquentar gradativamente.

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