Danilo Nunes

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Ele ama o que faz. Assim Danilo Nunes, diretor geral da Unibr - Facul-dade de São Vicente, descreveu-se em entrevista ao JV, para quem contou um pouco de sua história de vida.
Começou a trabalhar logo aos 12 anos, em uma empresa de transportes do tio. Atrelado a isso, já dedicava muitas horas do seu dia ao estudo, uma vez que sempre foi um aluno disciplinado. Mas Danilo também não deixava o lazer de lado, pois fazia parte de um time de futebol da rua em que morava, a Aureliano Coutinho, no Embaré, em Santos.
Ainda adolescente, passou por diversos cargos na empresa de transportes e, aos 19, ingressou na Cosipa. Lá, em uma nova função, começou também a atuar no âmbito acadêmico. A partir desse momento, a área da Educação começou a fazer parte de sua vida.
Formado em Administração, ainda foi trabalhar em São Paulo e, em seu retorno, assumiu o cargo de professor na Unimonte. Anos mais tarde assumiria o cargo de pró-reitor da universidade, função que ocupou durante nove anos.
Após desempenhar um trabalho significativo na instituição santista, foi convidado para ser diretor geral da Unibr, em São Vicente. Agora, trabalha na estruturação dessa nova universidade, que existe desde 2007 no Município. A seguir, confira a entrevista na íntegra:
JV - Onde você nasceu e quais as suas principais lembranças da infância?
Danilo
- Nasci em Santos. Meus pais são santistas, com meu pai de origem portuguesa e minha mãe, espanhola. Minha infância foi marcada por estudo e lazer, como no caso do futebol com os amigos. Sempre fui fanático por futebol e, na década de 60, acredito que o futebol entre as crianças tinha um espírito mais coletivo. Você tinha a necessidade de organizar-se em grupo para poder praticar esporte. Nós nos organizávamos, marcando futebol entre as equipes de determinadas ruas, algo que não se vê mais com frequência. Além disso, a questão do patrocínio já ficava evidente no esporte também, pois visitávamos padarias e outros estabelecimentos para sugerir a exibição da marca no nosso uniforme. Outra fator curioso que recordo nesta época era a “parceria” entre o time e donos de terrenos vazios. Nós procurávamos o dono, que geralmente era um vizinho, e pedíamos para usar o terreno para formar um campo de treino. Quando autorizados, capinávamos e fazíamos toda manutenção do local. E outra vantagem é que os prédios onde morávamos ficavam próximos a esses terrenos, o que facilitava a supervisão dos nossos pais. Eles ficavam debruçados na janela da área de serviço e assistiam à criançada brincar e jogar.
JV - Quais colégios você estudou e como era seu desempenho escolar?
Danilo
- Toda minha trajetória escolar foi em escolas públicas. Cursei o primário no Cidade de Santos. Já no ginásio, escolhi o Colégio São Leopoldo, que era uma das melhores escolas da época. Mais tarde, fiz o colegial profissionalizante, que me deu a oportunidade de estudar com ênfase em administração. Foi, sem dúvida, uma das partes mais proveitosas da minha vida. Na segunda, quarta e sexta, eu estudava disciplinas tradicionais, como Português, História e Geografia, no Ribeiro Couto. Às terças e quintas, no Senac, eu fazia a parte administrativa, estudando Contabilidade, Inglês Técnico e outras matérias. Meu desempenho como aluno sempre foi muito bom, pois educação é meu oxigênio e não é à toa que trabalho com isso. Embora seja extrovertido, eu era muito quieto em sala de aula, porque encarava o estudo com muita seriedade. Nasci para trabalhar com Educação.
JV - Onde foi seu primeiro emprego? Conte essa experiência.
Danilo
- Meu primeiro emprego foi como office-boy, em uma empresa de Transportes, com apenas 12 anos de idade. O trabalho era com meu tio, ou seja, comecei atuando profissionalmente na esfera familiar. Aos 14 anos de idade, já com a possibilidade de ser registrado, fui promovido a auxiliar de escritório. Com 17, eu estava estruturado na empresa, me tornando responsável pela entrada e saída de cargas.
JV - Após seu início no mercado de trabalho, onde mais você atuou?
Danilo
- Com 18 para 19 anos, fui para a Cosipa, onde fiquei por aproximadamente 15 anos. E lá, além da minha função, eu também era instrutor de Programa de Qualidade. De certa forma foi meu início na carreira acadêmica. Em seguida, segui para São Paulo trabalhar por outra empresa, sempre na esfera administrativa.
JV - O senhor assumiu o cargo de pró-reitor da Unimonte. Como chegou a esta função?
Danilo
- Assumi o cargo em 1990, fiquei por 20 anos lá, e foi uma experiência ótima. Inicialmente, atuei na parte docente como professor auxiliar de ensino, professor-adjunto e, depois, professor titular. As aulas eram focadas em Administração Geral, Qualidade e Comportamento Humano. Já a parte administrativa, fui auxiliar de Administração. Se você notar, meus primeiros cargos sempre foram cargos de auxiliar, o que acredito ter sido bom, porque você começa da base. Trabalhei como auxiliar de administração, auxiliar de coordenação e, posteriormente, coordenador de curso de graduação e especialização. Depois, fui pró-reitor de pós-graduação e pesquisa, assumindo o cargo de pró-reitor de pesquisa e extensão mais tarde. Com mais experiência dentro da Unimonte, comecei a atuar na função de pró-reitor acadêmico, que englobava todas as áreas de ensino. Fiquei neste cargo durante nove anos. Este trabalho existe grande responsabilidade, pois você precisa conhecer sua instituição e tudo que está à volta dela, lá fora, como congressos, seminários, parcerias e a comunidade.
JV - E como surgiu o convite para ser o diretor geral da Unibr?
Danilo
- Acredito que o convite surgiu devido ao meu próprio trabalho na outra universidade. Um dos mantenedores da Unimonte, também atuava no mesmo cargo na Unibr. Ao saber que eu havia saído do cargo, ele me chamou para assumir este cargo de diretor geral, que é bem semelhante ao pró-reitor acadêmico. Recebi a proposta e aceitei o desafio. Fiquei feliz pelo convite, pois acredito que seja um reconhecimento de todo trabalho que fiz no passado. E intitulo esse cargo como desafio, pois a Unibr é uma instituição em pleno processo de crescimento. Tínhamos, em 2007, cerca de 400 alunos. Hoje já estamos com 2.500 estudantes e lançando cinco novos cursos. Outro ponto que me atraiu foi a política da universidade de trabalhar junto à esfera pública. Eu enxerguei o convite como uma oportunidade de começar tudo de novo, mas com 20 anos de experiência e dentro de um proposta que você acredita. Meu objetivo é fomentar o autoconhecimento, trabalhar a melhora do ensino e à comunidade, por meio de projetos sociais.
JV - Com a vinda do pré-sal à Região, a expectativa de boas mudanças toma conta dos municípios, incluindo São Vicente. Como funcionará o curso de petróleo e gás da universidade?
Danilo
- O pré-sal vai causar um grande boom captador de mão-de-obra e desenvolvimento. E precisa que alguém fique preocupado com esse processo de captação, que são as instituições de ensino. Diversas universidades já possuem o curso de Petróleo e Gás, estamos formando profissionais que serão captados pelo mercado. O tema deve ser pensado de forma organizada e, principalmente, metropolitana. E nós estamos nos preparando para quando essa porta abrir. Nossa matriz curricular está sendo preparada, sempre atenta ao que já existe no mercado. Em outras palavras, queremos melhorar o que já está sendo aplicado em cursos existentes de outros lugares. Não queremos só mostrar o curso ao aluno, porque isso é muito simples. Queremos, acima de tudo, mostrar o que é o mercado lá fora. Hoje, um aluno precisa de um diploma de ensino superior para abrir a porta chamada mercado de trabalho. Mas isso não é tudo. Só vai sobressair aquele profissional que for melhor e diferente, que enxergar o caminho a ser trilhado, mas atento à velocidade ideal. Não adianta fazer tudo certo e de forma lenta, pois seu concorrente irá passar por cima de você.
JV - Todas as salas de aula da Unibr possuem ar-condicionado e algumas delas também contam com aparelhos de TV, DVD, Data Show e retroprojetores. Qual a importância de oferecer uma estrutura dessas aos alunos?
Danilo
- O nosso processo de construção da faculdade ainda está acontecendo. A política da Unibr é preparar todas as salas de aulas com retroprojetor e equipamentos multimídias. Isso é importante, pois a aula expositiva merece um tratamento especial. Atualmente, ninguém aguenta vim para uma sala e ficar naquele modelo antigo de aula. A tecnologia ajuda o professor a se preparar melhor para fomentar o ensino em sala de aula. A Educação particular ainda tem uma carência de aula prática, pois na Unibr, por exemplo, conta com alunos que trabalham e dispõem de pouco tempo para atividades fora. O uso de aparelhos tecnológicos ajuda a criar esse ambiente de aula prática dentro da própria sala. A tecnologia causa uma dinâmica melhor e já estamos trabalhando para criar aulas interativas, por meio de redes. O uso da internet é indispensável na aula. Para mim, usar Powerpoint é coisa do passado.
JV - Já conhecia São Vicente? Quais eram suas primeiras principais impressões sobre a cidade ao chegar na universidade?
Danilo
- Eu tinha impressões como cidadão e, agora, como empresário. E essa visão mudou. Como cidadão, tinha a visão que a cidade adotou a melhoria da qualidade de vida de seus munícipes. Para mim, eu via São Vicente e Praia Grande como as cidades que mais cresciam na Região. Como empresário, passando praticamente o dia inteiro aqui, eu percebi a forma como a Cidade abraçou a universidade, tanto população quanto prefeitura. É impressionante essa resposta que recebemos ao nos instalar, algo motivante mesmo. Curiosamente, não vemos isso em outras cidades. Se não vamos atrás da admnistração municipal, ela vem até nós, ajudando na criação de projetos sociais. O Vovô Digital é um exemplo disso, onde percebe-se toda satisfação desses munícipes mais idosos ao participar do programa. Estamos ainda trabalhando para formar, para o mês de agosto, o coral infantil de São Vicente. A química entre a Unibr e sua cidade é algo muito gostoso.
JV - O ranking do Enem 2009 mostrou que ainda existe uma grande disparidade entre os ensinos particular e público. Como reduzir essa diferença com o passar dos anos?
Danilo
- Esse é um problema crítico e acredito que é o nosso maior desafio. Na minha época, na década de 60, a escola pública era referência de ensino. O Brasil foi crescendo e dando prioridade a outras áreas, deixando a política educacional de lado, que infelizmente não acompanhou a velocidade da evolução do país. Essa falha deixou rombos. Hoje, a referência do ensino básico fica por conta das escolas particulares. Já no superior, o quadro se inverte, com as universidades públicas atuando como referências. E as vagas nas universidade públicas serão ocupadas por aqueles estudantes que estiveram nas escolas particulares. Mas cerca de 80% do profissional que possui ensino superior provém de universidades particulares. Essas instituições abrangem também alunos que vieram da rede pública, ou seja, que não foram preparados da maneira correta durante o ensino básico. Em suma, o que falta são políticas públicas para o ensino básico. Precisamos de ações que pensam na Educação como um contexto único, com a preocupação de formar cidadãos, e isso começa pela raiz do ensino.
JV - Você ainda é jovem. Quais são seu próximos objetivos na carreira profissional?
Danilo
- Ultimamente, tenho pensado o que vou fazer nos próximos 30 anos. Tenho várias propostas de vida que eu mesmo fiz. Meu objetivo é criar um plano de vida que prima pela qualidade de vida, pois não faço questão de abrir isso. Trabalho desde os 12 anos e hoje tenho 51, ou seja, já está na hora de pensar na minha qualidade de vida. E esse termo esbarra necessariamente no meu trabalho pela educação no Brasil, que é uma proposta que carrego comigo desde os 30. Não me vejo fora da Educação, seja na parte administrativa ou ministrando aulas, algo que me dá muito prazer. Quero conciliar tudo isso ao meu lazer e aos momentos que estou com minha família. Acredito que isso é essencial para realizarmos um bom trabalho. Sou completamente contra àqueles que dizem que se dedicam totalmente à empresa. Há quem diga que fala sobre vestir a camisa da empresa, querendo demonstrar o comprometimento, que é importante. Mas antes de vestir a camisa do trabalho, você deve vestir a sua própria camisa, para não perder a sua própria identidade.

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  1. 2 Comentários para “Danilo Nunes”

  2. Muito boa essa entrevista hein?! É definitivamente esse tipo de personalidade que faz a diferença na cidade, no ensino e definitivamente em nossas vidas. Parabéns a universidade UNIBR por ter absorvido esse escasso tipo de profissional nos dias atuais, conheço e admiro o trabalho deste conceituado gestor pois fui aluno na outra universidade em que ele lecionava, a Unimonte e lá aprendi a admirá-lo e confesso que quanto mais o conheço, mais o tomo como referência em minha vida profissional. Tenho a certeza que assim como eu, muitos alunos tentarão ingressar na UNIBR afim de continuar aprimorando nossos conhecimentos com esse tipo de profissional. Parabéns ao Jornal Vicentino por estampar a capa com entrevistas tão nobres e fundamentais tanto para o mercado quanto para a cidade.

    Por Wagner Lins em jul 27, 2010

  3. Muito boa entrevista é ótimo para quem procura informações em decidir entre faculdades, neste caso, Unimonte e UNIBR.

    Parabens !!

    Por Morato em nov 27, 2010

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