Nossa Cidade
- agosto 16, 2010
Um aprendizado que supera as limitações

Fazer com que o deficien-te auditivo e visual esque-ça as dificuldades do cotidiano e complete seus estudos é o foco do Cesin (Centro Municipal de Educação Supletiva da Área Insular), que desde 2005 trabalha com pessoas portadoras de limitações.
Única instituição que possui curso supletivo neste formato em São Vicente, o Cesin atua com estudantes dos ensinos Fundamental e Médio. As aulas possuem materiais adaptados às condições de cada aluno e não há obrigatoriedade de uma presença constante do mesmo. Um dos diferenciais do Cesin é justamente a liberdade que o estudante possui para aprender de acordo com sua necessidade - ou tempo disponível.
Atualmente com sete alunos, as aulas para deficientes auditivos duram de 2 a 3 horas, com conteúdo voltado para o uso excessivo de imagens, uma vez que ele facilita a aprendizagem. Além disso, dependendo do grau de dificuldade do estudante, a linguagem de sinais (libras) também é utilizada durante as atividades, bem como a leitura labial. As avaliações são recheadas de ilustrações, pois o método auxilia os alunos a assimilarem o conteúdo com maior facilidade.
As responsáveis por todo esse trabalho são as professoras Renata Cristina Lopes e Ana Helena Peixoto. Renata, inclusive, explica como funciona o trabalho de memorização do conteúdo. “A pessoa que não é surda possui memória auditiva, o que ajuda na absorção do conteúdo. Com eles, que não contam com o recurso da audição, faço um trabalho mais aprimorado e que, muitas vezes, precisa ter o número de exercícios triplicado. Esse trabalho em larga escala ajuda na fixação do conteúdo”, ressalta. “Existem poucas instituições dedicadas às pessoas com dificuldade de aprendizado na Região. Aqui, eles se sentem em casa e bem à vontade, o que torna o ensinamento ainda mais fácil”, completa.
Os alunos Marcos Vinícius de Souza (16) e Ivan José Garcia (24) confirmam a facilidade para aprender o conteúdo proposto nas aulas. Segundo eles, o método utilizado no Cesin motiva o estudante a superar suas limitações, sempre acompanhado de perto pelo professor. “Estou há mais de um ano no Cesin. Tive a oportunidade de aprender de uma forma muito mais fácil, até melhor do que se eu estivesse em outra sala de aula”, diz Marcos.
“A dedicação exclusiva da professora me deixa mais seguro para aprender. Estou adorando e já até aprendi a escrever com mais facilidade”, conta Ivan.
Já as aulas para deficientes visuais - ou com visão reduzida - contam com cinco alunos e são ministradas pela professora Luzia Teresa Rachid, que também possui tal deficiência. Mas diferentemente das atividades dedicadas aos alunos surdos, o conteúdo para cegos é repassado também por professores específicos de cada disciplina, uma vez que os deficientes visuais não possuem falha na audição.
Neste caso, Luzia apenas auxilia aquele aluno que encontra dificuldade durante o aprendizagem. Ela também é responsável pela aplicação de provas, que são feitas em braille para aqueles que não enxergam, e em letras ampliadas àqueles que contam com visão limitada.
A professora, no entanto, considera que o fato de seus alunos possuírem deficiência visual não lhe impossibilitam de exercer outras atividades. Em tom de brincadeira, até faz uma cobrança aos estudantes. “Todos têm condições de aprender novas disciplinas e de serem ótimos profissionais. E se meus alunos não cursarem uma faculdade futuramente, vou puxar a orelha de cada um (risos)”, destaca.
Sob a batuta de Luzia estão os irmãos Dercilio Guilherme Cruz (16) e Cleyton Henrique Cruz (16) e Rodney Átila César (18). Todos mostram-se empolgados com as aulas, além de destacarem suas conquistas na sala de aula. “Esse curso me ajudou muito. Aprendi a ler mais rápido e tenho cada vez mais vontade de aprender coisas novas”, conta Dercilio.
Para Cleyton, a principal diferença do Cesin para outras instituições está no formato de ensino. “Os professores ajudam muito mais que em outras escolas. Esse trabalho direcionado é maravilhoso, pois dá para sentir a dedicação de cada um conosco”, avalia,
Já Rodney afirma que só há motivos para comemorar, além de ressaltar que o aprendizado é algo prazeroso para ele. “O curso é ótimo, não tenho o que reclamar. Os professores são super atenciosos e nos ajudam a superar todas as dificuldades. Adoro vir aqui.”, salienta.
A organização do curso, bem como a avaliação de cada disciplina, está sob a responsabilidade da diretora Maísa Regina de Almeida. Para ela, o que mais atrai os estudantes a ingressarem no Cesin é infraestrutura oferecida pela instituição. “Contamos com professores altamente capacitados e nossos materiais são totalmente adaptados à realidade dos deficientes auditivos e visuais. Aqui, eles aprendem, esquecem suas dificuldades e conhecem uma nova realidade”, afirma.
O Cesin fica na Avenida Antônio Emmerich, 91, Centro. Os interessados em ingressar no curso devem levar cópia do RG, comprovante de residência, certidão de nascimento e histórico escolar. Para mais informações, www.cesin.com.br.





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