Corinthians: 100 anos de paixão

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Era 1º de setembro de 1910. 20h30. À Rua José Paulino, esquina da Rua Cônego Martins, reúnem-se sob a luz de um lampião Anselmo Correa, Antonio Pereira, Carlos Silva, Joaquim Ambrósio, Raphael Perrone. Nascia o Sport Club Corinthians Paulista.
O nome do clube, que tornaria-se o mais popular do Estado e o segundo do Brasil, foi uma homenagem ao Corinthian Team, equipe inglesa que excursionou em terras brasileiras e impressionou os cinco operários do Bom Retiro com suas atuações mágicas.
Década de 10
Fundado inicialmente para atuar na várzea paulistana, o Corinthians ganhou destaque entre os adeptos do esporte bretão. Em apenas seis anos já estava na elite do futebol de São Paulo e colecionava dois títulos paulistas, de 1914 e 1916, ambos de maneira invicta.
Década de 20
Nos anos 20, com a ingressão do rádio nas partidas de futebol, o time tornou-se ainda mais popular em São Paulo. Torcedores fanáticos acompanhavam fervorosamente a equipe que, décadas mais tarde, seria conhecida como Timão. E fechando a década, o Corinthians conquistou mais seis títulos paulistas (22/23/24 e 28/29/30).
Década de 30
O time do Parque São Jorge não parava de crescer. O pintor Menotti del Picchia, inclusive, avaliou a equipe como “um fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade”. Em 1933, devido aos esportes náuticos que também eram praticados pelo clube, o distintivo ganhou novos contornos. Dois remos e uma âncora, o símbolo da esperança, foram adicionados ao símbolo alvinegro.
A década de 30 foi encerrada com mais três títulos paulistas (37/38/39), anos que ficaram marcados pelo surgimento dos primeiros ídolos corinthianos. Neco, Rato, Del Debbio, Tuffy, Grané, Teleco, Brandão e Servílio de Jesus eram nomes ecoados pela torcida do Timão.
Década de 40
Em 28 de abril de 1940, o estádio do Pacaembu foi inaugurado. A estreia contou com rodada dupla, incluindo o jogo Corinthians e Atlético Mineiro, no qual o time do Parque São Jorge venceu por 4 a 2. Os anos 40, no entanto, não foram marcados por muitos títulos, uma vez que o Coringão conquistou apenas o Paulista de 41.
Década de 50
Sem grandes êxitos na década anterior, o alvinegro paulistano reformulou seu plantel nos anos 50. Em 1951, o Corinthians foi o primeiro time do futebol brasileiro a ultrapassar a marca dos 100 gols em um campeonato oficial, quando anotou 103 em apenas 28 jogos no Paulista daquela temporada. De 1952 a 1954, o clube fez 28 partidas internacionais sem derrota - incluindo a importante disputa da Pequena Copa do Mundo de 1953, na Venezuela. Na ocasião, o Corinthians colecionou o primeiro título internacional de expressão, após duas vitórias sobre o Barcelona da Espanha. O Timão foi ainda a primeira equipe a representar oficialmente a Seleção Brasileira de Futebol, em um amistoso contra o Arsenal em 1965.
Contudo, após o título paulista em 1954 e a conquista do IV Centenário começaria um jejum de conquistas que perdurou por 23 anos. E ao contrário do que se esperava, o time do Parque São Jorge atraiu ainda mais adeptos no período da fila. Curiosamente, foi na ausência de conquistas em que a torcida corinthiana mais cresceu, consolidando-se como a segunda maior do país, atrás apenas da flamenguista.
a fiel
A torcida corinthiana, por sua vez, é um capítulo à parte na história do Timão. Sempre acompanhando a equipe, independentemente das glórias dentro de campo, ganhou o apelido de Fiel. O nome conquistou ainda mais força após a fundação da primeira torcida organizada do clube, a Gaviões da Fiel, em 1969. Em 1976, por exemplo, 70 mil corinthianos “invadiram” o Maracanã, na semifinal do Campeonato Brasileiro. A invasão corinthiana, como ficou conhecido o feito, é registrada como o maior deslocamento populacional por causa de um esporte. E o Timão ainda venceu o duelo contra o Fluminense nos pênaltis, em um domingo chuvoso no Rio de Janeiro.
O FIM DO JEJUM
O martírio corinthiano, entretanto, só foi encerrado em 1977, após o meia Basílio marcar o gol do título do Campeonato Paulista, contra a Ponte Preta, no Morumbi. Com o estádio pintado de preto e branco, os quase 90 mil corinthianos explodiram aos 36 minutos do segundo tempo com o tento do camisa 8. Encerrava-se ali o jejum de títulos e, para muitos, nascia o gol mais importante da história do clube.
DEMOCRACIA
A década de 80 registrou outro momento marcante do Corinthians. Liderado por Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro e Zenon, era iniciada a Democracia Corinthiana, onde todas as ações do clube foram resolvidas por meio de votos, de contratações ao local da concentração. E a mudança surtiu efeito, uma vez que o Coringão conquistou o Campeonato Paulista de 1982, após vencer o São Paulo na decisão. A façanha foi repetida no ano seguinte, novamente sobre o time do Morumbi.
ANOS DOURADOS
Eis que chega os anos 90, onde o alvinegro paulistano conquistou o Brasil por quatro vezes. Com uma equipe limitada, mas que contava com o meia Neto, o Corinthians iniciou a primeira conquista do Campeonato Brasileiro sem muitas expectativas. Surpreendeu seus adversários e, de novo no Morumbi, bateu a equipe do São Paulo, com um gol de Tupãzinho na final. Cinco anos mais tarde, conquistaria sua primeira Copa do Brasil, após vencer o Grêmio em pleno estádio Olímpico.
No final da década, o alvinegro paulistano fechou o círculo de conquistas, após a “dobradinha” com os títulos brasileiros de 1998 e 1999, derrotando os dois times mineiros Cruzeiro e Atlético Mineiro, respectivamente. Com um time intitulado pela imprensa como “esquadrão corinthiano”, a equipe contava com os ídolos Dida, Gamarra, Rincón, Ricardinho, Marcelinho Carioca e Luizão. Ainda no último ano da década, o Coringão conquistou mais um Campeonato Paulista, dessa vez derrotando o arquirrival Palmeiras.

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