Editorial
- outubro 4, 2010
Típica lentidão
Um ano após a descoberta do vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os cinco acusados ainda não foram ouvidos pela Justiça. O depoimento dos réus está agendado para 12 de novembro. Estima-se que a sentença judicial saia até fevereiro.
A fraude, denunciada dois dias antes da data marcada para a aplicação do Enem 2009, prejudicou cerca de 4,1 milhões de estudantes em todo o País. O cancelamento e a realização do exame em nova data consumiram R$ 99,95 milhões dos cofres públicos. O valor total gasto para o Enem ultrapassou R$ 168 milhões, mas o governo ainda tenta reaver R$ 35 milhões pagos ao consórcio Connasel pela impressão da prova. Como a quebra de contrato foi amigável, a devolução está sendo pedida por meio de processo administrativo. Se não houver acordo, o caso seguirá para a Justiça.
Na época do vazamento, o ministro da Educação, Fernando Haddad, agradeceu ao jornal por ter informado sobre a fraude e disse que a atitude evitou o deslocamento desnecessário de estudantes para a realização de uma avaliação cujos resultados terminariam anulados.
Tal demora mostra, mais uma vez, a lentidão da Justiça brasileira. Além disso, o prejuízo causado aos cofres brasileiros parece soar com naturalidade pelo País. Tamanho dano deveria, sim, acelerar processo de apuração da fraude. No entanto, mais uma vez, a vagareza falou mais alto.





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